domingo, 3 de fevereiro de 2008

Fernando Pessoa

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

(...)

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avózinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.

(...)

Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.


Excertos de Opiário de Fernando Pessoa

Sem comentários: