quinta-feira, 7 de maio de 2009

Devemos Perder o Comboio Europeu?

O presidente da CIP, Francisco Van Zeller, veio hoje, quinta-feira, 7 de Maio de 2009, defender o adiamento do projecto do TGV por 10 anos.
Gostaria de relembrar uma pequena lição de história ao Dr. Van Zeller e a todos os críticos, nomeadamente ao PSD, do investimento público em alturas de crise.
Entre 1933 e 1937, no rescaldo do crash do Wall Street e com o intuito de apoiar os desfavorecidos da grande depressão, o governo Norte Americano levou a cabo um programa de obras públicas destinado a relançar a economia.
Basta olhar para este programa bem sucedido para perceber que o investimento nas obras públicas estimulará a economia portuguesa.
Mas voltando ao TGV, a pergunta impõe-se... será que Portugal se pode dar ao luxo de manter a sua localização periférica face à Europa e admitir o isolamento. Como disse em tempos a direita, orgulhosamente sós...
Temos actualmente uma situação geográfica que para muitos é periférica. Não posso admitir tal posição.
O que nos impede de ser a porta para a Europa em termos de bens e pessoas, e de nos tornarmos um país central no espaço euro – atlântico, são as deficientes vias de comunicação, em especial ferroviárias, que nos ligam a todo o espaço europeu. Percebe-se assim que os investimentos no Aeroporto e principalmente no TGV não só têm de avançar como já avançam tarde.
Mas as afirmações do Sr Presidente da CIP teriam uma consequência imediata ainda mais grave, caso fossem seguidas.
Numa altura em que o desemprego cresce, o poder económico cai e a economia abranda, seria uma total irresponsabilidade do estado abdicar de criar postos de trabalho, de possibilitar a melhoria das condições de vida dos portugueses, de estimular a economia e de modernizar o país.
Portugal só tem a ganhar com a implementação do TGV. Não só o projecto é financiado a 75% pela EU, como o momento permite uma violação sem consequências do Pacto de Estabilidade e Crescimento – Défice Público de 3%. Para além destas condições económicas favoráveis ainda se aumenta a centralidade de Portugal no panorama geopolítico e económico face à Europa e no panorama euro – atlântico. Assim como se estimula a economia para combater a crise internacional.
O que queremos, um Portugal dinâmico, economicamente forte e moderno, ou um Portugal cada vez mais estagnado, em constante quebra económica com perda de qualidade de vida e de poder económico?

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