Inclusão: Inserir num ou fazer parte de um grupo,
abranger, compreender, conter.
Uma pequena pesquisa num qualquer dicionário (físico
ou eletrónico) permite compreender o que significa inclusão. E nessa pesquisa,
que já fiz, não encontrei em lugar algum a mínima referência a que inclusão seja sinónimo de afastamento,
segregação, restrição ou discriminação.
Aliás, as definições com que fui confrontado, todas remetem
no sentido apresentado na primeira linha do texto e dão força à visão da
inclusão que fui desenvolvendo no contacto com os alunos.
Com os anos de carreira que tenho, maioritariamente
ligado à educação especial, não posso deixar de me sentir perplexo quando vejo
uma reação tão veemente e deturpada por parte de algumas pessoas, que revelam o
pouco que entendem de educação especial, na crítica negativa ao Despacho Normativo N.º 1-H/2016 do
Ministério da Educação, uma reação que me faz lembrar ideias do passado e
que julgava estarem, paulatinamente, a desaparecer das nossas escolas e da sociedade.
Após uma leitura detalhada do despacho, não consigo
encontrar explanada a ideia de que os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) terão de frequentar turmas
de maiores dimensões. Encontro sim a ideia de que os alunos NEE terão de passar
mais tempo com as suas turmas e menos tempo em atividades fora da sala de aula.
O que de resto se traduz numa prática seguida por muitas escolas e que se
deverá incentivar e generalizar por todo o sistema educativo.
“Despacho Normativo N.º 1-H/2016
Artigos 18º / 19º /20º
A redução de grupo
prevista no número anterior fica dependente do acompanhamento e permanência
destas crianças no grupo em pelo menos 60 % do tempo curricular.”
A não ser por uma qualquer ideia, que quero acreditar ser
equívoca, de que alunos com NEE não devem estar nas mesmas escolas e nas mesmas
turmas que os restantes alunos, o que significa afastá-los, exclui-los,
discriminá-los, não encontro forma de sustentar a teoria que permite depreender
que os alunos com Necessidades Educativas Especiais frequentarão turmas sem
redução.
Os discentes estão na escola com plenos direitos e
deveres, continuam a beneficiar da medida que permite a redução do número de
alunos por turma e estou certo que os professores, diretores de turma e
diretores de agrupamento ou escola não agrupada, na linha da experiência que
sempre vi e senti na escola, continuarão a fazer o melhor que sabem pelos seus
alunos. E o melhor para os alunos é estarem com os seus pares dentro da sala, num
processo de evolução conjunta que permita a superação de todos
independentemente das suas dificuldades. Esta ideia foi também defendida,
recentemente, pela Federação Portuguesa
de Autismo.
“A possibilidade de todos os alunos com NEE permanecerem
durante 60% do seu período letivo com a sua turma regular, representa um passo
importante no caminho para a inclusão na escola pública.”
Assim como por inúmeras
plataformas que se dedicam à reflexão sobre as temáticas relacionadas com a
Educação Especial e a inclusão, das quais destaco um excerto do Blog Pedimos Gomas Como Resgate, da
Professora Maria Joana Almeida.
“Estes meninos
pertencem à escola e a sua evolução depende de todos os protagonistas
educativos. Cabe à escola, ter sim, a autonomia necessária para avaliar o
perfil de funcionalidade de cada aluno NEE e definir, em conjunto, as melhores
respostas. E uma das melhores repostas, pode ser sim, uma maior permanência
junto dos seus colegas de turma.”
Hoje
existe uma tendência para confundir as questões da educação com as questões da
saúde. Não nego que o conceito de inclusão, que tem marcado a educação nos
últimos anos, contribuiu para que, por vezes se procurassem respostas para
problemas clínicos nas escolas. No entanto é importante que se tenha a noção
que as questões clínicas necessitam de resposta clínica e as educacionais têm
de ser tratadas na escola.
Naturalmente
algumas das problemáticas apresentadas pelos alunos enquadrados pelo
Decreto-lei 3/2008, anteriormente 319, têm o potencial de perturbar o regular
funcionamento do grupo/ turma. Negar esta realidade é negar a existência de
problemas que existem e têm de ser enfrentados e minimizados ou mesmo
ultrapassados.
Para
tal necessitamos de clarificar os papéis desta dicotomia saúde/educação, sendo
que à educação especial compete fazer as pontes necessárias entre os dois
mundos de forma a ter alunos, com potencial problemático reconhecido, estáveis
e capazes de evoluir com a turma, sempre no respeito pelos seus ritmos e
capacidades de aprendizagem.
O que não é aceitável é ter alunos com potencial
evolutivo, mas que apresentam “forte agitação psicomotora”, sinalizados e
enquadrados na Educação Especial, tendo redução de turma, mas que nunca
acompanham as aulas com os colegas.
Uma versão deste texto pode ser lida no blog ComRegras:




A notícia da aprovação de financiamentos de 885 milhões de euros referentes aos fundos comunitários, através do Programa Operacional Capital Humano, em que cerca de metade vai para a formação profissional, não pode deixar de ser vista como uma boa notícia para o ensino no geral e muito particularmente para o Ensino Profissional.






