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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Evolução do ensino em Portugal - Conclusões


A parte final da minha intervenção no colóquio "A Escola Ontem, Hoje e Amanhã".

O evento foi promovido e organizado pela associação para a promoção da saúde mental infantil e juvenil, DevelopMind, em parceria com a Associação de Pais da Horta Nova e com a Junta de Freguesia de Carnide.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Massificação, Democratização e Inevitabilidade de Competitividade Económica do Ensino



A minha intervenção na "Conferência sobre Direitos Fundamentais da Criança e Educação Inclusiva". A organização coube à 1.ª e 8.ª Comissões Parlamentares e realizou-se na sala do Senado da Assembleia da República. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Prova de avaliação de competências para professores

Que fique claro que sou favorável à avaliação de professores. Uma avaliação contínua, em contexto e tendo em conta as contingências educativas que o professor vive.
No entanto, sou frontalmente contra a prova de avaliação a que alguns professores são agora sujeitos.
É um atestado de incompetência às universidades, politécnicos e  responsáveis pela formação dos novos docentes. E é o ministério, mais uma vez, a aumentar o centralismo e a questionar a competência de um grupo de pessoas, altamente qualificada, mas constantemente atacada e desmoralizada pela tutela.
A competência do Ministério de Educação  é pugnar pela existência de formações de professores de excelência. E a partir desse ponto deixar que as Universidades e os seus técnicos façam o trabalho que lhes compete, que é saber se os alunos têm ou não nível de conhecimentos suficiente para concluir a sua formação.
Esta prova, a meu ver, não foi desenhada para avaliar. Serve para desviar as atenções de outros problemas mais graves que afectam a educação.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O meu amigo


            Há alguns anos atrás tive um macaquinho amigo meu que me contou a sua história. Tinha nascido numa bela selva africana, junto a uma queda de água. Era o orgulho do seu pai. A mãe cuidava dele e de dois irmãos mais velhos. Na realidade era um irmão e uma irmã. A mãe e a irmã cuidavam dos dois irmãos enquanto o pai trabalhava para trazer a comida para o ninho da família. A vida não era fácil, mas estavam juntos e apoiavam-se.

Num certo dia, ainda o macaquinho era muito pequeno. Algo aconteceu no seio da sua família. A mãe saiu para ir buscar água e nunca mais voltou.

Ninguém soube muito bem o que se passou. Teria caído ao rio? Teria fugido daquela vida difícil de privação, deixando para trás os três filhos e o marido? Teria sido apanhada nalguma armadilha daquelas que a vida nos coloca? A dúvida cravou-se na mente de quem ficou para trás. O pai não conseguia compreender, mas mais difícil ainda era explicar aos filhos. Não conseguia explicar à irmã mais velha porque tinha ficado sozinha a cuidar dos irmãos, porque tinha agora de assumir um lugar que não deveria ser seu. Não conseguia explicar ao irmão do meio porque tinha agora de fazer os trabalhos da escola sem a ajuda daquele ser que costumava estar ali a seu lado quando voltava, ao fim do dia, para casa. E não conseguia explicar ao macaquinho por que razão aquela cara familiar, que era o seu símbolo de amor e carinho tinha desaparecido.

O mundo desabava, o pai não trazia tanta comida porque não trabalhava tanto fora de casa, mas também não dava a atenção e o amor que os filhos precisavam, como era costume dar a mãe, não passava o tempo necessário com eles.

A filha mais velha, sentia-se perdida, triste, sem rumo. Não compreendia porque a mãe tinha desaparecido, não era justo o que a vida lhe tinha feito! A dúvida, se teria sido abandonada, corroía-a por dentro não deixando espaço para dar afeto aos irmãos e ao pai, a felicidade era agora uma rocha fria. Tinha de sair dali e procurar um caminho, fazer-se à selva para encontrar o seu lugar... Chegara o momento. Tal como a mãe, antes, também ela agora desaparecia. Deixou, no entanto, um bilhete de despedida. Mesmo fugindo da vida que tinha levado até ali, não ia conseguir viver com a culpa de deixar a dúvida no seu pai e irmãos. Explicou o que sentia e desapareceu no meio daquela selva.

A família que era de cinco estava agora reduzida a três.

O pai não conseguia agora cuidar dos filhos que ainda estavam consigo. Começou a faltar comida, o mundo de afetos que era aquele ninho morrera lentamente. Primeiro com o desaparecimento da mãe e depois com a saída da irmã.

O pai não conseguia cuidar dos seus filhos. Para trazer comida tinha de sair, deixando os macaquinhos sozinhos e desprotegidos. Para os proteger, não podia trabalhar e passavam fome. Tomou uma decisão, entregar o mais novo para ser criado num Zoo. Lá estaria melhor – dizia o pai a si próprio. Teria outros macaquinhos com que brincar, teria uma família que olhasse por ele. Assim fez. Ficou apenas com o irmão do meio a seu cuidado. A separação de seu orgulho era muito difícil, mas era para seu bem – repetia o pai a si próprio numa tentativa vã de se convencer.

Os anos passaram e os irmãos pouco contacto tinham uns com os outros, ou com o seu pai. Sabiam, apenas, que a Irmã tinha mudado para uma selva diferente, mais a sul, e que iniciara uma nova vida.

O Irmão do meio, que tinha crescido e vivido na parte da selva ao pé da queda de água, com pouco apoio do pai, tenha o hábito de se deslocar por caminhos difíceis, achava que essa era a única maneira de ser aceite pelos seus amigos da queda de água. Tantas fizera que o chefe dos macacos acabou por mandá-lo prender numa jaula.

O mais novo, que não conhecera a mãe – apenas se lembrava da sua cara triste, mas meiga, crescera no Zoo e não sabia o que era ter uma família que lhe transmitisse valores e educação. Os maus exemplos que toda a vida viu à sua volta tornaram-no rude, agressivo e pouco simpático para os outros macacos. A raiva que sentia de seu pai, por o ter abandonado à porta do Zoo, ainda tornava a sua vida mais difícil.

Na escola dos macacos, os seus colegas fugiam dele no recreio, por ele ser diferente. Os tratadores diziam que era mal-educado e muito irrequieto – diziam que sofria de Cafeína – e os restantes técnicos da escola empurravam-no de um lado para o outro tentando sempre que fosse outro a estar com ele.

Quando não estava a lutar com os colegas ou a mostrar os dentes para os tratadores, o macaquinho estava fechado no seu mundo de pensamento, não deixando que ninguém se chegasse. Por vezes sonhava que iria viver com a irmã mais a sul. Por vezes achava que o pai o ia receber de volta e cuidar dele. Ou ainda, sonhava que o irmão ia sair da jaula e os dois fariam uma viagem para bem longe daquele mundo que o maltratava.

Não sei se por simpatia, compaixão ou mesmo pena, a realidade é que fui um dos poucos que se aproximou dele e lhe deu tempo para se libertar e dizer um pouco do que sentia. Sim, sempre tive a sensação de que apenas me contou um pouco de todo aquele sofrimento. A verdade é que mesmo comigo não se dava muito a conhecer, talvez com medo de que também me fosse embora, talvez sabendo que chegando ao fim do ano eu iria para outro zoo e seria mais um a abandoná-lo.    

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Computador



Ontem liguei o computador da minha sala e algo de estranho aconteceu. Parece que ganhou vida própria. Logo depois de o iniciar, começou a mandar-me mensagens.


Primeiro disse que tinha a memória cheia, que tinha de libertar espaço. Depois, ainda não tinha desaparecido a primeira mensagem, já me estava a dizer que tinha vírus, spam, vermes, cavalos de troia e toda uma fauna que eu não compreendia o significado ou mesmo a razão de existir. A certa altura desta interminável lista de monstros desconhecidos, disse-me mesmo que era uma bomba-relógio a qual eu senti prestes a estoirar.   
Sempre que tentava fazer alguma coisa, sempre que tentava que funcionasse como é normal um computador funcionar, lá vinha ele com os seus erros e mensagens.

Problemas de memória, problemas de disco, problemas disto... problemas daquilo... Estava a começar a ficar farto. Como é que é possível trabalhar se o material não colabora? Estava cansado, frustrado, desanimado, prestes a baixar os braços e desistir daquela máquina que insistia em fazer o contrário do que eu queria.

Parei, fiz um intervalo, tentei distrair a mente com um livro, mas não consegui ler, como é natural. As ideias daquele momento não paravam de esvoaçar na minha cabeça. Toda aquela agitação de doenças e síndromes estranhas rodopiavam num turbilhão impedindo-me de ver a solução para o caso. Nessa altura entrou o professor da sala ao lado e perguntou-me o que se passava.

Respondi-lhe de imediato que o computador estava avariado, que os problemas eram tantos que o melhor era mandá-lo embora. Já não queria saber. Afinal de contas sempre fora lento e dera problemas. Devia ser defeito de fabrico.

- Mas tu sabes alguma coisa de computadores? – Perguntou-me ele com ar desconfiado - Se não percebes do assunto, o que te leva a pensar que podes fazer diagnósticos e apontar soluções? Deixa isso para quem sabe.

Parei o meu mundo sobre aquelas palavras. Valia a pena tentar.

Levei o malfadado objeto ao especialista e esperei. Passados 30 minutos apareceu o técnico com o seu veredito. Precisava de mais tempo, não era possível, em tão pouco tempo, corrigir todo o mal que as pessoas que com ele trabalharam lhe tinham feito. Estava cheio de informação inútil, de vírus e outros problemas que vinham dos sítios visitados e dos programas instalados. Mas uma coisa era agora clara, todos os problemas tinham a sua raiz no pouco cuidado que todos tivemos com ele.

Decidi esperar e ter paciência, podia ser que desse resultado.

Regressava agora à escola na expectativa de ver as suas verdadeiras capacidades. Não sabia até onde me poderia acompanhar, mas sabia que o tinha de cuidar e povoar de bons objetos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quando o acessório se torna essencial!


Falou-se do congresso do CDS, do caso do Meco, das pinturas de Miró e a seguir vamos ouvir falar do congresso do PSD. Pelo meio lá vamos tendo algumas notícia sobre a fragilidade da nossa economia, os seus pequenos e frágeis pontos de recuperação, exaltados como milagres pelo governo, e os seus muitos pontos de desequilíbrio, completamente apagados pela propaganda oficial.   

Não tenho dúvidas que até seriam notícias com algum interesse, não fosse o momento dramático que atravessamos. 


Enquanto se discutem os Miró, não se fala de um plano estratégico para a Cultura. Enquanto o Ministério da Educação discute as praxes, ninguém sabe quais as medidas de Crato para o próximo ano lectivo. Enquanto se fala de indicadores positivos da economia e de captar potencial humano estrangeiro, ninguém discute o que fazer com o exército de desempregados que existe em Portugal.

Estamos mal, estamos muito pior do que estávamos há 3 anos atrás e o governo continua sem apresentar ideias para o futuro.

Quando o acessório se torna essencial quem perde é Portugal.   

O mestre das crianças!



Certo dia perguntou-me a minha mãe:

- O que queres ser quando fores grande?

Esta é uma daquelas perguntas simples que os pais fazem às crianças. É também uma pergunta simples para a qual, ingenuamente, esperam uma resposta ainda mais simples.

- Quero ser astrónomo! Dizem uns que sonham com as estrelas...

- Quero ser homem do lixo! Dizem outros que sonham com o vento fresco da manhã a bater na cara de quem viaja alegremente, pendurado na traseira de um carro do lixo.

- Não sei... Deixa-me pensar um pouco e já te digo!

Ao contrário da resposta direta pretendida pela minha mãe, esta pergunta irrompeu pelo meu espírito e travou qualquer resposta impensada, irrefletida ou pouco ponderada que pudesse surgir no meu íntimo.

Sem dizer mais nada, afastei-me a pensar naquela simples pergunta.

Dei comigo sentado no ramo de uma figueira, que os meus avós têm no cerrado, a pensar no que queria ser quando fosse grande.

- Professor! É isso, quando crescer quero ser professor... 

Mas o que é isso? Um professor é uma pessoa que sabe muito, que é perito em alguma coisa. É alguém que sabendo muito passa esse saber a outros que o queiram. E eu queria saber muito, sempre gostei de estudar, mas nunca gostei de ser obrigado a estudar. Estava então decidido!

Sabendo que esta decisão estava muito próxima da minha vontade, havia algo nela que me inquietava. 

E quem não quiser aprender o que eu tenho para oferecer? Tenho de ser professor desses? Como é que se ensina alguma coisa a quem não quer aprender?

Ensinar e aprender pode acontecer, mas os alunos têm de gostar do que estão a estudar. Como acontece nas universidades. Só vai para a universidade quem quer, logo são todos bons alunos, pensava eu.

Mas, e até lá? Até à universidade é preciso estudar muito e são precisos muitos professores que ensinam o que os alunos querem e o que não querem.

E esses? Como é que esses ensinam? Se para eu aprender tenho de gostar do que vou aprender, tenho de querer aprender, então como é que um professor me pode ensinar o que eu não quero aprender? Eu que quero ser professor, como é que vou ensinar os meus alunos se eles não quiserem saber?

Quando estou na escola, há disciplinas para onde gosto de ir, mesmo sem nunca ter pensado se gosto da matéria ou não. Gosto de ouvir o professor e sei que o professor me ouve. Até posso gostar da matéria, mas a verdade é que neste caso não penso nisso. Nem sequer penso no que vou aprender. Vou para a aula apenas porque me sinto lá bem.

Eu gosto de desenho, e vou sempre para EVT com muito gosto, porque gosto de desenho. Mas eu nunca gostei de Inglês, no entanto gosto do professor e sinto-me bem na sua aula.

Não basta o professor saber muito, ele também tem de ser importante para os alunos, o professor tem de ser um exemplo, um modelo que os alunos queiram seguir. Esta é a forma de fazer com que os que não sabem o que querem, ou que não querem saber, se entreguem e aprendam. O professor tem de ganhar os alunos e tornar-se no seu mestre.

Tal como a lagarta que calmamente faz o seu caminho até se transformar em borboleta e ganhar asas para voar, também o professor deve fazer a sua viagem com os seus alunos para que estes ganhem o conhecimento que lhes permita serem críticos, pensantes e conhecedores do seu caminho.

Desci do meu ramo de figueira e voltei a entrar em casa. Os meus pais e os meus avós estavam sentados à mesa. Aproximei-me e verbalizei com ar solene:

- Quando for grande quero ser pedagogo, quero ser o mestre das crianças!

domingo, 16 de junho de 2013

Canta-se o hino na manifestação de professores!


É necessário que Portugal entenda que a luta não é pelos professores enquanto classe. A luta é pelo sistema de ensino e consequentemente pelos alunos e pelo futuro do país. 

O aumento de alunos por turma, a redução do número de professores nas escolas a instabilidade provocada por alterações constantes ao corpo docente das escolas (agora estendidas a quem já estava no quadro). Esses sim são problemas que, entre outros, afectam de forma dramática o futuro dos nossos alunos e do nosso país. 

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A destruição do estado como o conhecemos


O Primeiro-ministro, depois de aprovar o pior orçamento da história da democracia portuguesa vem agora dizer que vão existir cortes significativos na educação e no estado social e que se recusa a renegociar a dívida. Que homem é este que prefere ver a população portuguesa a sofrer e a economia a colapsar a renegociar as condições financeiras da assistência ao pais?
Enquanto anuncia que não vai renegociar a dívida, que vai “acabar” com o estado social, que vai promover cortes significativos na educação, que vai continuar a tratar a saúde como um peso para o estado, que vai continuar a promover o aumento do desemprego e a redução do poder de compra, que vai continuar a afundar a economia o Dr. Passos Coelho afirma que está numa missão patriótica.
            O último português que se autointitulou embutido de uma missão patriótica, numa altura em que as finanças dominavam a economia, foi o Dr. Oliveira Salazar.  

sábado, 10 de novembro de 2012

Audição Parlamentar Educação Especial



É urgente defender a escola e a educação pública. O ensino público em Portugal deve ser a referência de qualidade pelo qual o sistema de educação se deve pautar, mesmo que para isso se tenha de reconhecer algumas insuficiências e alterar alguns paradigmas.

quinta-feira, 8 de março de 2012


Este vídeo foi-me apresentado por um aluno meu algo receoso pelo seu futuro! Esta é a altura em que os professores se devem manifestar, quando os alunos se sentem receosos... sem um futuro à vista. É para evitar isto que devemos lutar. Lutar contra o desacreditar dos nossos alunos. Lutar contra o desmantelamento da escola pública. Lutar contra quem, com ar de desdenho, goza com o futuro do seu país!!!

sábado, 7 de maio de 2011

Gosto pela Educação Especial

Para quem gosta de educação no geral, mas principalmente para quem sente um apelo para a educação especial, deixo aqui alguns sites com informação muito importante sobre tecnologias e produtos de apoio e como as conseguir, para as escolas e para as famílias.

http://www.inr.pt - Instituto nacional para a reabilitação

http://area.dgidc.min-edu.pt/webpages_CRTIC/
- Centro de Recursos TIC

http://www.alojadoavo.pt/
- Loja do Avô



sábado, 19 de junho de 2010

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.


Artigo publicado na revista VISÂO online

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Nossa Educação!


A Educação é um processo continuo, os resultados não aparecem no imediato e qualquer alteração que se faça tem o seu tempo de maturação. Há coisas que estão mal, mas não temos uma escola como tínhamos há 40 anos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Adopção por casais compostos por pessoas do mesmo sexo


A adopção antes de ser um acto em que um adulto, enquanto pessoa singular, ou um casal, enquanto família, aceitam cuidar de uma criança, é um direito que qualquer criança tem a ter uma família, a receber o carinho dos que a rodeiam, dos que pretendem cuidar dela.

sábado, 26 de setembro de 2009

Educação... o Futuro de Portugal!

A escola em Portugal está a mudar, que ninguém tenha dúvidas, e está a mudar para melhor. Todas as mudanças implicam algumas rupturas, algum descontentamento. Quando se mexe com interesses instalados há décadas é natural que as pessoas se sintam descontentes e que até se cometam algumas injustiças. Tenho de admitir que algumas partes do processo poderiam ter sido conduzidas de outra forma.

Não obstante o referido anteriormente, era urgente instaurar no nosso sistema educativo um regime de avaliação que valorize quem efectivamente dá aulas.

Nesse sentido, e admitindo algumas fragilidades no regime de avaliação em vigor, devo realçar que este modelo se apresenta como uma defesa para os professores que trabalham e sempre trabalharam para os alunos. Agora temos um modelo e esse modelo pode, juntando os intervenientes, Ministério da Educação e Professores, ser melhorado, possibilitando que todos nós professores possamos ter uma carreira mais justa.

Paralelamente à requalificação da carreira docente assistimos também a um reforço do papel do professor no ensino e na educação do aluno, reforço este que todos nós nos devemos orgulhar.

Tendo a escola a responsabilidade social que todos lhe reconhecemos, era criminosa a atitude que esta tinha perante o acompanhamento que dava, leia-se não dava, aos jovens.

Numa sociedade em que os pais entram ao trabalho às 8 ou 9h da manhã e saem às 18 ou 19h da tarde, permitir que os jovens andassem na rua entregues à sua sorte, porque só tinham aulas até ao almoço ou porque um professor não podia dar a sua aula, era uma realidade desenquadrada das necessidades sociais e como tal não poderia continuar.

Foi esta realidade que se combateu, foi nesse sentido que os horários foram estendidos no 1º ciclo, incluindo as actividades extracurriculares, como a Educação Física ou o Inglês, assim como se criou a figura das aulas de substituição.

Agora temos os nossos alunos mais acompanhados o que permite que os pais estejam mais descansados nos seus locais de trabalho sabendo que os seus filhos estão bem acompanhados por profissionais competentes.

Ao mesmo tempo que tudo o referido anteriormente acontecia nas escolas, durante a legislatura preconizada pelo Engenheiro José Sócrates assistiu-se ainda à correcção de um erro histórico. Falo da aposta assumida em revitalizar e apoiar incondicionalmente o ensino profissional. Hoje cerca de 50% da oferta formativa em Portugal prende-se com esta área de ensino.

Desta forma foi possível motivar milhares de jovens para os estudos, dando-lhes uma opção de vida, permitindo-lhes que apostem numa carreira profissional desde cedo e que permite que durante os seus estudos possam ver a sua profissão nascer.

Um outro ponto onde crédito tem de ser dado a este governo prende-se com o investimento feito na requalificação do parque escolar tanto do pais como do distrito. As alterações ao parque escolar em Benavente, Salvaterra de Magos, Tomar, Ourém e Abrantes constituiu um investimento de 56 milhões de euros.

Este investimento associado ao programa E-escola/ Magalhães, reconhecido a nível internacional, permitiu colocar as nossas escolas, assim como os nossos alunos, na vanguarda do ensino.

Temos de admitir que muito há para fazer na utilização das novas tecnologias no espaço escola por forma a maximizar as suas potencialidades, mas a realidade é que neste momento essa tecnologia já está disponível enquanto que há quatro anos era apenas um sonho.

É por tudo isto, e também por sentir que cada vez mais os alunos gostam da escola, que cada vez mais se verifica uma menor taxa de abandono escolar e que ano após ano a taxa de reprovações é menor, que tenho orgulho em ser professor, em ser parte activa neste processo que apenas tem como consequência Avançar Portugal.