Fernando Pessoa, viveu entre 1888 e 1935, e conviveu de perto com vários tipos de Portugal. Desde a prosperidade que se viveu no reinado de D. Carlos, embora com grande conturbação política, passando pelo regicídio, pela instabilidade da primeira república e terminando na estabilidade opressiva do Estado Novo ou República Corporativista.
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Esta salada política com que o poeta se deleitou ao longo da sua vida permitiu-lhe produzir um tipo de escrita riquíssimo.
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Como podemos verificar nos excertos do poema Opiário transcritos no artigo anterior, Fernando Pessoa possui na sua escrita uma intemporalidade que não passa sem se fazer notar.
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Nestas quadras encontramos claramente retractado o Portugal do Séc. XXI, um Portugal que gostava de ser as coisas fortes, mas que continua pedindo esmola às portas da alegria, às portas da Europa.
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Portugal é hoje um país que anseia por se equiparar aos países de topo na Europa, é um país que vive com a realidade de competir com esses países, é um país que tem de viver e sobreviver com as mesmas regras que essas superpotências utilizam.
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Penso no entanto que somos um pais em franco crescimento político e finalmente em convergência com a Europa, mas que tem obrigatoriamente de sair da estagnação social em que continua.
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Esta é talvez a parte mais difícil de todo o processo europeu e é também aqui que devemos ter Fernando Pessoa e a sua escrita como exemplo.
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Como o autor, a população portuguesa, ou pelo menos a sua grande maioria, encontra-se em convalescença pelo momento que está a passar. As pessoas têm de limpar os cacos da recessão e apostar em fazer o país crescer.
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Ver passar a vida faz-me tédio. A vida tem de ser vivida de forma crítica para obter valor, não podemos deixar que nos imponham verdades sem as questionarmos. Esta é a revolução de que Portugal necessita no raiar do Séc. XXI, a revolução intelectual. A apatia em que os nossos cidadãos vivem é hoje o principal entrave ao nosso desenvolvimento.
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A 25 de Abril de 1974 Portugal viveu um dos dias mais gloriosos da sua história, o dia em que se fez a revolução política que me permite estar hoje aqui a escrever e a questionar a ordem das coisas livremente.
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Agora falta a revolução intelectual, a revolução que faça com que a população portuguesa questione e se “imiscua” de forma positiva na coisa pública. Só assim Portugal pode deixar de pedir esmola às portas da alegria e passar a ser as coisas fortes, passar a ser uma superpotência europeia.