domingo, 12 de junho de 2011

D. Fernando II e Glória

A D. Fernando foi o último navio de guerra inteiramente à vela da Marinha Portuguesa. Foi construída em Damão, na Índia Portuguesa, sob a supervisão do engenheiro construtor naval Gil José da Conceição, por uma equipa de operários indianos e portugueses, liderados pelo mouro Yadó Semogi. Na sua construção foi usada madeira de teca de Nagar-Aveli. Depois do lançamento ao mar, em 22 de outubro de 1843, o navio foi rebocado para Goa onde foi aparelhado.

O navio foi baptizado em homenagem ao Casal Real Português, o rei-consorte D. Fernando II e a Rainha D. Maria II, cujo nome próprio era Maria da Glória. O "Glória" do seu nome também se referia à sua santa protetora, Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os Goeses.

O navio estava armado com 50 bocas de fogo, com 28 na bateria e 22 no convés.

A sua viagem inaugural, de Goa a Lisboa, decorreu entre 2 de fevereiro e 4 de julho de 1845.

A D. Fernando navegou durante 33 anos, percorrendo cerca de 100 000 milhas, correspondentes a, quase, cinco voltas ao mundo. Foi empregue no transporte de tropas, colonos e degredados para Angola, Índia e Moçambique. Participou em operações navais de guerra no Ultramar Português. Apoiou a expedição de Silva Porto de ligação terrestre entre Benguela em Angola e a costa de Moçambique.

Em setembro de 1865 a D. Fernando substituiu a nau Vasco da Gama como Escola de Artilharia Naval, fazendo viagens de instrução até 1878. Nesse ano, fez a sua última missão no mar, realizando uma viagem de instrução de guarda-marinhas aos Açores. Nessa viagem, ainda conseguiu salvar a tripulação da barca americana Laurence Boston que se tinha incendiado. A partir daí passou a estar sempre fundeada no Tejo.

Em 1938 deixou se servir de Escola Prática de Artilharia Naval, passando a ser utilizada como navio-chefe das Forças Navais no Tejo.

Em 1940 cessou o seu uso pela Marinha Portuguesa, sendo a fragata transformada em Obra Social da Fragata D. Fernando, uma instituição social que se destinava a albergar e a dar instrução e treino de marinharia a rapazes oriundos de famílias pobres.

Em 1963, um violento incêndio destruiu uma grande parte do navio, ficando abandonado no Tejo.

Entre 1992 e 1997 a fragata foi recuperada pela Marinha Portuguesa, recorrendo ao Arsenal do Alfeite e aos estaleiros Rio-Marine de Aveiro.

O navio esteve exposto na Expo 98. Desde então é um navio museu da Marinha Portuguesa, estando actualmente desde 1 de Março de 2008, em doca seca, em Cacilhas - Almada, estando a receber trabalhos de manutenção.

In "wikipedia"













sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vamos para directas e todos temos o dever de refazer o PS

Brevemente teremos directas no PS, uma eleição para definir quem será o próximo secretário geral de todos os socialistas. Este cargo exige alguém com determinação, coragem, conhecimento e visão.

Determinação na forma de encarar as adversidades por que atravessamos, na maneira como nos pode conduzir a sermos de novo um partido coeso, forte e uma verdadeira oposição a uma direita que se prepara para esquartejar o estado social que caracteriza Portugal.

Coragem para não voltar a cara à luta nem se preocupar com ganhos pessoais, tal como sempre fez durante os anos de governo de José Sócrates em que mostrou uma prontidão constante para defender Portugal e o PS sem nunca se esconder atrás da cortina à espera da sua janela de oportunidade de forma calculista.

Conhecimento das matérias, do acordo com a troika, da forma como Portugal se faz representar dentro e fora do País, da maneira como o partido se deve portar no parlamento para fazer um boa oposição.

E por último visão, o futuro Secretário Geral do PS tem de conseguir assentar em cima das premissas que referi anteriormente uma capacidade clara de ver o caminho que o partido tem de percorrer. Diálogo, proximidade com as estruturas distritais e concelhias e reforço do envolvimento da militância de base na vida do partido.

São estas as características que me levam a apoiar Francisco Assis na sua candidatura a Secretário Geral.

sábado, 7 de maio de 2011

Gosto pela Educação Especial

Para quem gosta de educação no geral, mas principalmente para quem sente um apelo para a educação especial, deixo aqui alguns sites com informação muito importante sobre tecnologias e produtos de apoio e como as conseguir, para as escolas e para as famílias.

http://www.inr.pt - Instituto nacional para a reabilitação

http://area.dgidc.min-edu.pt/webpages_CRTIC/
- Centro de Recursos TIC

http://www.alojadoavo.pt/
- Loja do Avô



domingo, 3 de abril de 2011

Portugal e o FMI

É curioso e incompreensível que o PSD venha agora dizer que apoia o governo no pedido de ajuda externa. Então não era preferível apoiarem medidas que evitassem a entrada do FMI em Portugal?

Que ânsia é esta que leva o líder do PSD a falar constantemente do auxílio externo?

O que está por trás desta vontade tão forte, também ela fortemente apoiada pelo Presidente da República, e que leva a que se faça cair um governo legitimamente eleito?

Será que estes altos responsáveis pararam para pensar, verdadeiramente, no que aconteceria a Portugal com a estagnação económica em que o chumbo do PEC nos mergulharia?

Será que estes altos responsáveis pelo nosso país ainda não pararam para pensar nas contrapartidas que a ajuda externa vai obrigar a que Portugal seja sujeito.

Será que o Presidente da República do alto do seu posto, que já leva cinco anos, mais dois anos de Ministro das Finanças, e mais dez anos de Primeiro-ministro. Não consegue olhar para a Irlanda e ver que o país está pior depois da entrada do FMI? Afinal é professor de economia.

Será que o Professor Cavaco Silva, do alto dos seus 17 anos de política activa e responsabilidades governativas, não consegue aconselhar o seu amigo, líder do PSD, a olhar para a Grécia e a ver o drama social em que o país mergulhou depois das exigências do FMI?

Eu não sei o que pensa muita gente por aí, mas eu não quero que Portugal seja a nova Irlanda, com despedimentos de funcionários públicos em massa. Eu não quero que Portugal seja a nova Grécia, com cortes indiscriminados de 30% nos salários. Eu não quero que Portugal seja a nova Irlanda, com as taxas de Juro nos 9%, mesmo depois da ajuda externa. Eu não quero que Portugal seja a nova Grécia, com juros de 11% depois da ajuda externa. O aumento radical da pobreza extrema, os despedimentos em massa, as falências do tecido empresarial, não são uma opção, não é um Portugal que possamos querer. O FMI em Portugal vai trazer isto sobre todos os portugueses.

A frase do Presidente Lula da Silva ilustra bem o que pode acontecer a Portugal. “O FMI não resolve nenhum problema, só os piora”. Esta frase foi dita pelo presidente que conseguiu colocar o Brasil na linha do crescimento e do progresso.

Se o senhor Passos Coelho está ansioso para governar com o FMI. Eu digo que não estou disponível para ser governado pelo FMI, Portugal não pode estar disponível para ser governado com o FMI.

Viagem ao Centro do Mundo

(Grutas de S. António)


Esguio e duro

Escorregadio, mas puro

De rocha feito

Por água perfeito


Num contacto sem igual

Num cenário surreal

Galerias sem fim

Aquíferos de jasmim


O caminho é profundo

Até às entranhas do mundo


Mário André Balsa Gonçalves
Almada, 3 de Abril de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Apelo à revolta!

Os partidos são parte da sociedade e a sociedade é a população... os partidos são o reflexo da sociedade, só fazem o que a sociedade permite. O desânimo, o descrédito, o afastamento fazem com que os partidos fiquem mais pobres e mais vulneráveis. sendo que a consequência é servirem pior a sociedade. Se a população se quer manifestar, por favor que o faça... precisamos disso... Portugal precisa disso... e que o faça na vida partidária. "Invadam", "tomem" os partidos, tornem-nos mais ricos, tornem-nos melhores, vamos transformar Portugal num exemplo de cidadania e de participação activa. Chega de eleições com 70%, ou 50% ou ainda 30% de abstenção. Todos somos um político pois todos somos a sociedade.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A família Sportinguista deve sentir-se de luto. os resultados recentes (esta época em especial) demonstram a verdade que é o futebol da actualidade.
Sem jogadores e sem investimento é impossível praticar futebol, quanto mais sonhar praticar futebol de qualidade.
Como é que se pode pedir a uma equipa que apresente resultados e se manda um treinador embora por não os apresentar (eu nunca fui grande adepto do Paulo Sérgio), quando se vende o seu principal avançado por meia dúzia de euros e não se arranja substituto para o lugar, quando se descapitaliza a equipa não se pode exigir resultados.
Será que o Liedson, que tanto deu ao Sporting e que já marcou pelo Corinthians tantos golos em um mês como pelo Sporting no resto da época, não tem valor desportivo suficiente para se segurar.
Vejamos... nas últimas épocas quem foram as referências do Sporting?
Paulo Bento... onde está agora? Seria mau profissional? não serviria para o Sporting?
João Moutinho... onde está agora? Seria mau profissional? não serviria para o Sporting? Liedson... onde está agora? Seria mau profissional? não serviria para o Sporting?
Miguel Veloso... onde está agora? Seria mau profissional? não serviria para o Sporting?
E podemos ver outros nomes que saíram em épocas anteriores. O problema não são as saídas... são os timings das saídas e quem é que se arranja para as substituir.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Uma experiência comunista... em 1931

Para Meditar!!!!!!

"Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha chumbado, uma vez, uma turma inteira.

Esta turma em particular tinha insistido que o comunismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".

O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe.

Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas".

Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria.

Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...

Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.

Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.

Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da média das notas.

Portanto, agindo contra os seus princípios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.

O resultado, a segunda média dos testes foi 10.

Ninguém gostou.

Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5.

As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma.

A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros.

Portanto, todos os alunos chumbaram...

Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência comunista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado.

Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."

O pensamento abaixo foi escrito em 1931.

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos.

O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.

Quando metade da população descobre que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

"É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Adrian Rogers, 1931


Parece-me que esta pequena experiência mostra uma das fraquezas da nossa sociedade (países com sistemas de proteção social pesados) mas que é simultaneamente o que nos caracteriza e torna fortes em termos sociais.

Embora seja uma mensagem poderosa que pode influenciar quem não pare para pensar um pouco e que diariamente é utilizada por uma direita menos escrupulosa ou sedenta de poder para afirmar a esquerda como um bicho papão, não devemos abdicar de um modelo de proteção que permita o mínimo de condições para que a pessoa sobreviva condignamente nos momentos de aflição.

Todos temos o direito de acesso à saúde, à educação ou à proteção mínima em caso de desemprego acidental. É dever do estado oferecer estes serviços à sua população, mas é também dever do mesmo estado não permitir que quem não quer trabalhar se aproveite desta proteção para ir vivendo à custa dos outros.

Estamos a passar uma época conturbada em termos financeiros e sociais, cabe ao partido socialista neste momento difícil defender o nosso modelo social, ajustando-o ás necessidades do estado, mas não permitindo em momento algum o seu desmantelamento como é pretensão dos partidos da direita.

O PSD pretende uma revisão constitucional que desmantela os pilares do nosso sistema social e o CDS ataca constantemente as medidas sociais existentes com um discurso demagógico e que cataloga como oportunistas não só os que se aproveitam, mas todos aqueles que por pura infelicidade e conjuntura necessitam da proteção do estado.

Temos de estar todos atentos à realidade que nos rodeia e cabe-nos a nós mostrar que Portugal governado por esta direita e sem um sistema social que proteja os cidadãos não é uma opção válida, é uma opção em que todos nós (classe média e baixa), mesmo depois das dificuldades por que estamos a passar, sairemos a perder.

Mário Balsa

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Imoral !!!

Hoje deparei-me, nas minhas normais viagens pelas auto-estradas do nosso país, com um conjunto de máquinas a substituir as pessoas nas portagens.

Embora tendo conhecimento prévio desta medida, não pôde deixar de pensar que ali poderia estar uma pessoa e consequentemente mais um trabalhador, menos uma pessoa no desemprego.
Relembro que a brisa apresentou recentemente 55 milhões de euros de lucro e que o lema da antiga empresa pública é “gerir auto-estradas para as pessoas”.

Ora, se todas as empresas começarem e continuarem a substituir pessoas por máquinas, esquecendo que a economia só funciona correctamente se as pessoas poderem trabalhar, então, no futuro, deixarão de ter pessoas para passar nas suas portagens.

Não compreendo esta procura de lucro a qualquer preço. Não compreendo que uma empresa que precisa que as pessoas comprem os seus produtos, ou que passem nas suas portagens ou que gastem a sua energia para ter lucro, substitua os seus empregados por máquinas, contribuindo desta forma para o aumento do desemprego, para o aumento da recessão, para o aumento das dificuldades que a população passa, para o afundar da nossa economia. E muito menos compreendo isto tudo quando a empresa apresenta um lucro de milhões.

Será que os grandes administradores não entendem que quanto melhores condições de vida as pessoas tiverem mais lucro terão as empresas?

domingo, 26 de setembro de 2010

As crianças birrentas chegam à política!

Portugal está sob os olhos das instâncias internacionais e das agências de rating. A pressão para que tenhamos resultados excelentes do ponto de vista económico está mais alta que nunca.

O governo sabe que para além dos compromissos que assumiu para a recuperação económica tem ainda que diminuir o desemprego, melhorar as condições de vida, continuar a qualificar os portugueses, aumentar a nossa competitividade, assim como tudo o resto que é dever do estado, isto tudo sem nunca abdicar do estado social. Não o abandonando às mão do mercado, privatizando o ensino, a saúde e a segurança social.

Qualquer pessoa que acredite no estado social e que coloque o bem comum pelo menos num nível tão elevado como o bem pessoal entende que estamos perante uma tarefa dificílima para qualquer governante, mas também entende que é nas alturas de crise que mais temos de contribuir com o nosso esforço para nos ajudarmos mutuamente.

Não me considero inocente e entendo que existem pessoas que pensem mais em si que nos outros, que tenham dificuldade em conviver com um sistema que garanta médico e educação para todos assim como auxílio em caso de desemprego, obrigando-os a contribuir para o bem comum. Até entendo que queiram adoptar em Portugal um sistema semelhante ao que os americanos tinham por ser mais barato para o estado, mas que com Obama estão a abandonar.

Sistema este que promove casos de absoluta exclusão social e de degradação pessoal entre os necessitados. Enquanto que quem tem dinheiro conseguem utilizar um sistema de saúde e educação bom, mas fechado a quem se encontra desempregado ou doente e não possa trabalhar para pagar estas despesas.

O que não entendo é que o nível de egocentrismo chegue ao ponto de se fazer birra, e bater o pé, qual menino mimado. Se não me dão o que eu quero provoco uma crise política gigante e mergulho Portugal no buraco, não interessa que tenha perdido as eleições e que o programa de governo do meu partido não tenha sido o mais votado. Ou é como eu quero ou vai tudo ao “ar”.

Chega de birras... entendam-se! Portugal não precisa de um Primeiro-Ministro “want to be” que tenta constantemente governar na sombra. Será que esta gente que se diz preparada para governar não entende o buraco onde nos está a colocar a todos?

sábado, 31 de julho de 2010

A Caça ao Homem

"Onde está o escândalo? No facto de se eternizar durante seis anos uma investigação que, só e mais nada, visa apurar se o primeiro-ministro que nos governa foi ou não corrompido, mantendo entretanto vivas as suspeitas sobre ele? No facto de essas suspeitas, e alguns documentos do processo, supostamente em segredo de justiça, terem alimentado durante um ano a fio e em época eleitoral o “Jornal de Sexta” da TVI? No facto de nem o procurador-geral da República, putativo superior hierárquico dos procuradores, ter poderes para lhes ordenar que, concluam o que concluírem, ponham fim à investigação – coisa que não pode fazer porque eles são “independentes”?"

"Vinha no carro a ouvir o noticiário da rádio e o assunto principal era a convocatória que um juiz de instrução criminal tinha enviado ao Parlamento para que o primeiro-ministro pudesse ser interrogado no âmbito de uma queixa-crime particular por difamação e injúrias, interposta por Manuela Moura Guedes. E a notícia acrescentava que a Comissão de Ética do Parlamento tinha recusado “levantar a imunidade” parlamentar ao primeiro-ministro, por considerar que ele não é deputado. De seguida ouviu-se a opinião de vários juristas, os quais, para não variar, não coincidiam nas razões jurídicas, mas apenas na conclusão: a convocatória era perfeitamente deslocada, fruto de uma precipitação do juiz, dando seguidamente a um erro do Ministério Público. Depois, dava-se conhecimento dos habituais comunicados da PGR e do Conselho Superior da Magistratura, tentando justificar a argolada e chutando as culpas, subtilmente, de uns para os outros. Enfim, seguia-se a opinião política sobre o assunto de um editor de jornal diário. E, em substância, declarou este, em tom convicto e acusatório: mais um escândalo envolvendo José Sócrates, a gota de água que faltava num copo já a transbordar, etc. e tal.

Fiquei a meditar naquilo: mais um escândalo envolvendo José Sócrates? Que escândalo – a trapalhada jurídica a que ele era absurdamente alheio? O facto de alguém, no uso de um direito que cabe a qualquer um, ter apresentado uma queixa-crime contra ele porque se julgou o fendida?

Recuemos no “escândalo”. Há seis anos – seis – que dois procuradores do Ministério Público e vários agentes da PJ investigam o chamado “caso Freeport”, prorrogando sucessivamente todos os prazos, arrastando o processo sem que se entenda para quê ou porquê e fazendo desta investigação, junto com a do “caso Meddie”, a mais cara de sempre do MP. Onde está o escândalo? No facto de se eternizar durante seis anos uma investigação que, só e mais nada, visa apurar se o primeiro-ministro que nos governa foi ou não corrompido, mantendo entretanto vivas as suspeitas sobre ele? No facto de essas suspeitas, e alguns documentos do processo, supostamente em segredo de justiça, terem alimentado durante um ano a fio e em época eleitoral o “Jornal de Sexta” da TVI? No facto de nem o procurador-geral da República, putativo superior hierárquico dos procuradores, ter poderes para lhes ordenar que, concluam o que concluírem, ponham fim à investigação – coisa que não pode fazer porque eles são “independentes”? no facto de não haver ninguém, instituição alguma que lhes possa exigir responsabilidades por manterem um cidadão sob suspeita de corrupção durante seis anos, manchando diariamente o seu nome na praça pública, e nisso gastando dezenas ou centenas de milhares de euros dos contribuintes, porque eles são “irresponsáveis” ? no facto de nem sequer poderem ser afastados do processo, como sucederia em qualquer empresa privada, porque são “inamovíveis”? Será isso o escândalo? Não, o escândalo é que o nome de José Sócrates esteja no processo – com razão ou sem razão, não importa.

Com razão ou sem razão – cada um julgará de acordo com os seus critérios de jornalismo – José Sócrates acabou por se rebelar contra o “Jornal de Sexta” e desabafar aquilo que era “um jornal travestido, de caça ao homem, motivada por razões de ódio pessoal”. Disse o que muitos pensavam, mas raríssimos se atreveram a dizer, o que é bem curioso: tinham mais medo do “Jornal de Sexta” do que de José Sócrates. E quando Sócrates, farto de se ver associado todas as semanas ao escândalo Freeport (onde nunca foi ouvido nem teve a possibilidade de se defender!), reagiu, em defesa própria, foi outro escândalo: tentativa de censura, acto próprio de alguém que “convive muito mal com a liberdade de imprensa”. Quer dizer: se ele, insultado quase diariamente aqui e ali (e, como se viu, com o perdão e apoio da magistratura), resolve reagir em defesa própria, é um censor. Parece assim que as funções de primeiro-ministro comportam muito menos direitos nesta matéria do que as funções de qualquer outro cidadão: o PM, em nome da liberdade de imprensa, só tem o direito de comer e calar. Se ele, reagindo, processa aqueles que entendeu que o ofenderam para lá dos limites toleráveis, é um escândalo, uma ameaça à liberdade de imprensa – que, felizmente, os magistrados não consentem. Mas se é alguém que o processa a ele, é outra vez um escândalo e da sua responsabilidade. (...)"
Miguel Sousa Tavares
Expresso, 26 de junho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cabo da Roca

Na ponta do mundo
No vértice rugoso
Alto, imponente…
Avisto ao fundo

A calma emergente
De um povo
Que sem medo
Se faz gente.

Calmo e cristalino
Verde, pelo sol tornado
Grita!!!
O Azul ao fundo

Num silêncio ruidoso
Demasiado luminoso
Dá-me a mão e… novamente
Faz-te gente!

Entroncamento, 26 de Junho de 10
Mário André Balsa Gonçalves

terça-feira, 13 de julho de 2010

Reguengos de Monsaraz

Rodeadas de ouro
Calmas cigarras
Cantam em coro
Sombras e parras

Terras de reis
De águas cheias
Reinam toneis
Em belas ameias

Calma e esperança
Trazem à lembrança
Os sonhos dos prados
De Alqueva regados

Mário André Balsa Gonçalves
Reguengos de Monsaraz, 11 de Julho de 2010

Lisboa

Por entre as nuvens do acordar
Complexo movimento pendular
Compromissos inadiáveis
Entre ritmos infindáveis

O gosto na ponta da língua
De uma cidade ambígua
Rápida quando parada
Lenta na debandada

Segundos seculares
Momentos perdidos
Em movimentos malabares
Constantemente vividos

Numa ânsia constante
Sem nunca parar
Uma cidade deslumbrante
Que nos obriga a sonhar

Mário André Balsa Gonçalves
Lisboa, 12 de Julho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.


Artigo publicado na revista VISÂO online

sábado, 12 de junho de 2010

Amo-te Muito

Na pena, Lisboa, em pleno Santo António, alguem diz... amo-te muito.
Será, talvez, o prenúncio de uma nova família que se formará.
Numa altura em que o país vive uma crise sistémica, dizem alguns, internacional, dizem outros, é este, talvez, um comportamento que pode indicar a saída para a crise.
O anúncio de que Portugal tem um sistema de segurança social pesado e incomportável para o estado, visão que qualquer pessoa que se diga de esquerda não poderá defender, será a arma da direita para reduzir a segurança que o estado, por dever, tem de proporcionar aos cidadãos.
Reduzir as prestações sociais não será certamente a saida para a crise. O que o estado tem o dever de fazer é promover verdadeiras medidas de apoio às jovens famílias e ao incentivo à natalidade, promovendo condições para que as famílias tenham mais filhos. Desta forma reduzirá o peso que o envelhecimento da população tem no nosso modelo social e torna-lo-á sustentável.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Lado a Lado

Manhã bela
Aquela em que
Recebi um convite
Indiferente, conveniente
Aspirando à vida

Jogando com o que não tinha
Onde estava, não lembrava
Apenas sabia
Não..., sentia
A certeza que o queria

Sei que vamos
Onde quisermos
Andando tão somente
Rodeados de mim
E de ti!
Seremos nós...

Depois...
Esperamos

Algures brilhante
Luminoso e cintilante
Mais que a Lua
Está o futuro
Indiferente e despreocupado
De dois
Andando lado a lado.


Mário André Balsa Gonçalves
Almada, 28 de Maio de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

À Descoberta de Portugal!

Na região centro, Distrito de Santarém, encontramos algumas pedras preciosas que é imperativo visitar em Portugal.
Deixo aqui algumas fotos de locais que visitei este fim de semana.
Grutas de Santo António






Albufeira do Castelo de Bode