domingo, 16 de junho de 2013

Canta-se o hino na manifestação de professores!


É necessário que Portugal entenda que a luta não é pelos professores enquanto classe. A luta é pelo sistema de ensino e consequentemente pelos alunos e pelo futuro do país. 

O aumento de alunos por turma, a redução do número de professores nas escolas a instabilidade provocada por alterações constantes ao corpo docente das escolas (agora estendidas a quem já estava no quadro). Esses sim são problemas que, entre outros, afectam de forma dramática o futuro dos nossos alunos e do nosso país. 

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Faz hoje dois anos que Portugal perdeu a sua independência. Nas palavras de Lobo Xavier (CDS), uma perda de independência desejada e provocada pelos partidos da actual maioria (PSD e CDS). Neste dia só tenho de dar os parabéns aos portugueses por terem aguentado dois anos de incumprimentos, de violações da constituição, de degradação do estado social, da função pública e da classe média, por terem visto os seus rendimentos reduzirem, os impostos aumentarem, a dívida pública e o défice crescerem e a economia colapsar, por terem passado por tudo isto com uma disposição, com um espírito de sacrifício e com um sentido de estado que tem faltado a quem tem responsabilidades. PARABÉNS!!!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Contrato de trabalho precisa-se

Neste dia 1.º de Maio (DIA DO TRABALHADOR) mais do que tudo importa reflectir sobre a actualidade. Importa perceber porque vivemos tempos tão conturbados. Não basta sair à rua para nos manifestarmos ou desfilarmos na parada de uma qualquer central sindical, como tão bem tem sido feito ao longo dos anos com os resultados que todos conhecemos. Não basta ficarmos em casa a escrever nos blogs ou nas redes sociais contra um governo que espreme os trabalhadores, com os resultados que todos sabemos que essas acções têm.

Neste dia 1.º de Maio é importante percebermos que separados os trabalhadores não têm força, é importante percebermos que separados a força dos trabalhadores se transforma na força do governo. Um governo que continua a olhar para a face da moeda que privilegia a austeridade esquecendo que do outro lado da moeda se encontram as políticas de crescimento.


Será que, mesmo reconhecendo eu a necessidade de contenção económica e redução da despesa pública  como um caminho que tem de se fazer, este governo PSD não consegue governar dentro da legalidade?


Nº 2 do artigo 208, da lei nº 59/2008 - "o trabalhador tem direito a um subsídio de férias de valor igual a um mês de remuneração base mensal, que deve ser pago por inteiro no mês de Junho de cada ano".


Este é apenas um exemplo que serve para ilustrar a força que este governo tem. Governa contra a constituição, governa contra a lei, governa contra os trabalhadores, governa contra os portugueses, mas governa com o apoio total do PSD e do CDS, numa maioria absoluta que aparentemente legitima todas as decisões que desejarem tomar, dentro ou fora da legalidade, e com a total protecção do Presidente da República, que se mostra duro com a oposição e altamente complacente com o governo.

O caminho a percorrer pelo estado é difícil e não é possível de alcançar com este governo e muito menos com esta política. A economia está destruída e carece de uma mudança de políticas urgente. Precisamos de políticas de crescimento e de emprego. Temos de aumentar a capacidade produtiva  a todos os níveis e para isso precisamos de políticas de investimento publico e privado, mas também precisamos de mais Europa, de uma Europa mais solidária entre si e mais solidária para com os seus povos. Temos de de recordar, reavivar e implementar os ideais fundadores do projecto europeu, liberdade, igualdade e fraternidade.                


Neste 1.º de Maio, perante o cenário de catástrofe económica e laboral que vivemos, 17,5% de taxa de desemprego, cerca de  1,5 milhões de desempregados,  mais uma vez, reflicto e confesso a minha frustração por ver apenas uma acção relativa da parte das organizações dos trabalhadores.

Porque não foi o dia do trabalhador comemorado em conjunto como uma "grande festa" reivindicativa?    

UGT - Avenida da Liberdade; 
CGTP - Alameda; e  
FENPROF - Avenida 5 de Outubro;

Afinal por que se batem as organizações sindicais? Não defenderão todas o trabalhador? Não pretenderão todas que os seus associados tenham as melhores condições de trabalho possíveis? Mas mais importante que tudo, não pretenderão as centrais sindicais que a taxa de desemprego baixe dos 4% e se aproxime do pleno emprego? 
Separados não vão lá. Sem consciência da realidade não vão lá. Sem se sentarem na concertação social não vão lá. Sem representarem verdadeiramente quem trabalha... não vão lá.

terça-feira, 30 de abril de 2013

A procura interna na crise!

A procura interna é um dos pilares fundamentais de uma economia e logo o seu abrandamento provoca uma quebra profunda nos indicadores económicos. O modelo de austeridade pretende contrair a procura interna e substitui-la pelas exportações. Dizem os entendidos que assim melhoramos a balança comercial. Eu pergunto: se todos fizermos o que aqui é descrito como é que se exporta? Para onde?

Podemos afirmar que esta política está mal desenhada, especialmente se defendemos modelos mais equitativos, mas a realidade é que esta política não está mal desenhada, está é desenhada para bem de apenas alguns.

Há quem esteja a passar a ideia de que vivemos tempos de conflito entre países do norte (com economias mais fortes) e os do sul (com as economias a passar por uma fase mais frágil), nada podia estar mais errado. O conflito existe, mas não é entre países. O Conflito que se sente hoje é um conflito ideológico, um conflito entre direita e esquerda. Um conflito entre a Social Democracia e o Conservadorismo Económico. Um conflito entre as pessoas e o dinheiro.

segunda-feira, 18 de março de 2013



Excerto da minha intervenção no jantar de apresentação da candidatura "Entroncamento Uma Cidade Para as Pessoas". Candidatura do Partido Socialista do Entroncamento encabeçada por Jorge Faria.




O meu discurso

Boa noite a todos!

Quero, em primeiro lugar, agradecer a presença desta reconfortante moldura humana no lançamento da candidatura do Partido Socialista à Câmara Municipal do Entroncamento.
Entroncamento uma cidade para as pessoas!
Candidatura encabeçada pelo nosso amigo Jorge Faria, que muito nos honrou ao aceitar ser o nosso candidato, o candidato de todos os socialistas.
Agradeço também aos vários candidatos a presidentes de autarquias que aqui se encontram o forte contributo que, com a vossa presença, estão a dar ao lançamento da nossa candidatura.  
Não posso deixar de enaltecer e agradecer a presença do meu grande amigo Hugo Costa. Presidente da Distrital do Ribatejo da Juventude Socialista e companheiro de inúmeras lutas. Desde os tempos em que ainda andávamos os dois pela J.
É sempre um gosto enorme receber-te no Entroncamento!
António Gameiro, meu amigo e grande amigo do Entroncamento! É um dever para cada socialista reconhecer a dinâmica que introduziste na federação de todos nós. Espaço de debate e de afirmação política que muito nos orgulha e que sem sombra de dúvida preparaste para ganhar 2013.
Obrigado por todo o apoio!
Deixo o último agradecimento para o próximo Primeiro-Ministro de Portugal!
António José Seguro!
Obrigado camarada!
A tua presença é uma inspiração para a nossa candidatura, sabemos que podemos contar contigo e com o teu apoio. Queremos que saibas que podes contar com o apoio do PS Entroncamento em toda a linha.
Conta connosco para as lutas do Partido Socialista!
Conta connosco para as lutas que travas para desenvolver um Portugal mais solidário, mais justo, mais democrático.
Enquanto houver alguém com responsabilidades governativas que continue a olhar para nós como simples números, sem a sensibilidade social para entender que o desemprego não é uma oportunidade ou que o atual salário mínimo nem sequer é digno desse nome.
Temos de lá estar. O PS tem de lá estar.
 Na linha da frente do combate político. A mostrar as alternativas e a fazer ouvir a nossa voz!
Conta connosco caro Secretário-geral!
Mas porque o Entroncamento, em especial esta noite, é a estrela. É nele que me quero centrar.
A herança do PS no Entroncamento é vasta e de qualidade, durante a governação do Camarada José Cunha, que todos nesta sala se lembram, construímos marcos importantíssimos da dinâmica da nossa cidade. Por exemplo:
As piscinas municipais ou o Pavilhão Desportivo Municipal.
Mas o marco mais importante da governação PS no Entroncamento, a característica que melhor nos representou e representa, é a governação para as pessoas.
Enquanto estivemos na Câmara, o Entroncamento era o centro comercial do Ribatejo. Era uma cidade em que o comércio prosperava, em que as pessoas se conheciam, que tinha comércio tradicional, que tinha vida durante o dia, mas que também tinha vida durante a noite. Que tinha uma área verde (O Bonito) que era utilizado pelas pessoas como espaço comunitário de convívio.
O Entroncamento era uma cidade que tinha oportunidades para os filhos da terra!

Mas... o que temos hoje?

Passados 12 anos de governação PSD, o comércio tradicional está a definhar!
A vida em comunidade desapareceu!
A segurança é uma miragem!
A vida de bairro morreu e as oportunidades para as próximas gerações estão hoje hipotecadas.
Esta é uma câmara que o PSD deixou com problemas financeiros sufocantes, uma autarquia que se viu obrigada a pedir um resgate financeiro, mas que ao mesmo tempo não deixou de gastar milhares de euros na construção de um restaurante que dificilmente terá ocupação (mesmo que cedido a custo zero) na zona do Bonito.
Eu pergunto: é função de uma autarquia híper endividada servir de promotor imobiliário para a restauração?
Se as dívidas foram criadas, para onde foi o dinheiro?
Onde está a prometida biblioteca?
Onde está um centro cultural ou uma sala de espetáculos?
Onde está a ETAR necessária para a dimensão do nosso concelho?
Onde está uma estação digna da nossa herança ferroviária?
A autarquia passou os últimos anos de costas voltadas para a ferrovia, deixou passar programas atrás de programas para requalificar a estação e acabou com uma infraestrutura desadequada e insegura, que não serve nem os profissionais nem a população, como está à vista de todos!
Chegou a estar inscrito em orçamento de estado uma verba para requalificar a estação, ao abrigo do programa estações com vida, que não foi aproveitada por falta de competência de quem lidera a autarquia.
Pode-se mesmo dizer que o Entroncamento ficou a ver passar os comboios nos últimos 12 anos.  
Muitos são os exemplos de promessas feitas pelo PSD que não foram cumpridas, muitos mais são os exemplos de políticas desastrosas aplicadas que nos trouxeram até ao buraco financeiro em que a Câmara se encontra.
É tempo de dizer basta! É tempo de mostrar que é possível!
É tempo de voltar a afirmar o Entroncamento como “Uma Cidade para as Pessoas”!
Para o fazer o Entroncamento só pode contar com o PS!
Só pode contar com a candidatura de Jorge Faria!
Um entroncamentense de há 50 anos. Filho de Ferroviário. Autarca e conhecedor da nossa cidade como ninguém.
Tem visão e experiência administrativa suficiente para retirar a nossa cidade do problema financeiro em que se encontra e devolver o Entroncamento às pessoas!

Viva o Partido Socialista!
Viva o Entroncamento!
Viva Portugal!    

Com o resgate do Chipre, e as suas contrapartidas, chegou a rutura financeira e política na UE. 
É mais do que claro que o problema principal não está nos países intervencionados, mas sim na inoperância e na falta de visão social dos atuais intervenientes do projeto europeu, um bando de tecnocratas de direita que ocupam as cadeiras da Comissão e que dominam o Parlamento Europeu, a sua política financeira conduziu a União de Delors, de Soares ou de Kohl para um abismo do qual será muito complicado recuperar.
Será que a tecnocracia da UE vai continuar a vender a ideia que os países do sul, cada um com o seu tipo de economia, são todos um bando de calões mal governados?
Como se os problemas internos da UE não fossem já de si complicados de resolver, o Chipre é um "offshore" onde muitos magnatas Russos colocaram as suas fortunas, vamos ver qual vai ser a posição diplomática Russa. Não acredito que se calem e vejam o seu dinheiro a desaparecer sem dizerem nada.
A Europa está numa bifurcação na qual terá de decidir que caminho seguir.
Se quer funcionar como um país (federação) olhando e cuidando do povo europeu. Então os eurobonds tem de ser uma realidade, a dívida pública dos estados tem de ser mutualizada, com o BCE a controlar o sistema financeiro europeu na sua totalidade e de forma clara. Ganhando desta forma economia de escala e capacidade de competir no mercado global. Assumindo-se a Europa como a superpotência mundial que nenhum dos seus estados membros tem capacidade de ser de forma individual.
Ou se a saída é o desmembramento económico e político da União. Deitando por terra, com esta decisão, as conquistas sociais que vêm de tempos tão remotos como a revolução francesa e continuam a necessitar de ser aprofundados (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Afundando a Europa nas suas divisões e rivalidades internas, aprofundando os ódios entre os povos da Europa e perdendo toda a capacidade de competir com as grandes economias do mundo, as tradicionais ou as emergentes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vivemos tempos muito conturbados a fazer lembrar outros tempos. Música de intervenção, revoltas estudantis, o Cardeal Patriarca a afirmar que o povo aguenta tudo menos a política abusiva. Temos de moralizar os actores.

Se os meus lucros sobem eu não posso dizer que quem empobrece aguenta. Se eu não pago impostos não posso dizer que quem paga aguenta. Se eu governo não posso exigir cortes em nome da troika para camuflar medidas puramente ideológicas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A destruição do estado como o conhecemos


O Primeiro-ministro, depois de aprovar o pior orçamento da história da democracia portuguesa vem agora dizer que vão existir cortes significativos na educação e no estado social e que se recusa a renegociar a dívida. Que homem é este que prefere ver a população portuguesa a sofrer e a economia a colapsar a renegociar as condições financeiras da assistência ao pais?
Enquanto anuncia que não vai renegociar a dívida, que vai “acabar” com o estado social, que vai promover cortes significativos na educação, que vai continuar a tratar a saúde como um peso para o estado, que vai continuar a promover o aumento do desemprego e a redução do poder de compra, que vai continuar a afundar a economia o Dr. Passos Coelho afirma que está numa missão patriótica.
            O último português que se autointitulou embutido de uma missão patriótica, numa altura em que as finanças dominavam a economia, foi o Dr. Oliveira Salazar.  

sábado, 10 de novembro de 2012

Audição Parlamentar Educação Especial



É urgente defender a escola e a educação pública. O ensino público em Portugal deve ser a referência de qualidade pelo qual o sistema de educação se deve pautar, mesmo que para isso se tenha de reconhecer algumas insuficiências e alterar alguns paradigmas.

quinta-feira, 8 de março de 2012


Este vídeo foi-me apresentado por um aluno meu algo receoso pelo seu futuro! Esta é a altura em que os professores se devem manifestar, quando os alunos se sentem receosos... sem um futuro à vista. É para evitar isto que devemos lutar. Lutar contra o desacreditar dos nossos alunos. Lutar contra o desmantelamento da escola pública. Lutar contra quem, com ar de desdenho, goza com o futuro do seu país!!!

domingo, 4 de março de 2012

O futuro será o passado!



Com o país mergulhado no caos económico e completamente subjugado ao primado da finança sobre o humano, num devaneio neoliberal insensato que substitui o valor da vida humana pelo valor da moeda, esta foto é a metáfora perfeita de Portugal.
O lugar é o Castelo dos Mouros em Sintra. Atento à sequência de bandeiras, começa-se a entender a evolução de Portugal ao longo dos tempos e a perceber que a evolução foi ingreme e dura, difícil de escalar, como a escada que acompanha as bandeiras.
Mas esta evolução foi sempre feita com o apoio da população e com o objetivo final de melhorar Portugal e a vida dos portugueses.
Desde os tempos da fundação que foi o povo que esteve na base das grandes decisões. D. Afonso Henriques teve ao seu lado os concelhos (a população) na luta contra a Leão e Castela e a alta nobreza portuguesa. E saiu vencedor.
Hoje, aproximadamente um milénio depois, voltamos a ver o povo confrontado com o pagamento dos devaneios da alta nobreza (banca e alguns grupos económicos) a cair sobre os seus bolsos, a diferença é que ao contrário da altura a atual liderança dos destinos do país está ao lado da alta nobreza contra os concelhos, tal como no tempo do domínio filipino.
Mas não nos iludamos, tal como em 1640 já se sente o surgimento do grupo dos conjurados, ou como em 1974 o surgimento do movimento dos capitães, que devolverá a ordem correta às coisas, que retirará Portugal da camisa-de-forças em que está. Colocado por um governo que só vê dinheiro, estatísticas e austeridade, e não percebe que atrás desses números estão pessoas a passar mal.
Portugal precisa de um líder que cumpra o que promete, mas que diga basta quando é preciso que bata o pé aos grandes interesses económicos, que defenda a população e que se lembre que é português, não um ministro das finanças qualquer colocado por quem lucra milhões com a atual situação do país.   

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O nó aperta sobre quem verdadeiramente trabalha.

Serei só eu, talvez por ser de letras, que acho que empobrecer e estrangular cada vez mais os trabalhadores e a população portuguesa tem apenas como consequência directa afundar as empresas nacionais e o país?

domingo, 28 de agosto de 2011

Algumas fotos das férias

 Praia da Luz, Algarve 


 Lagos, Algarve

 Vista da Vila da Luz, Algarve 

Ponta de Sagres, Algarve

Deste ponto D. Henrique teve a visão do que queria para Portugal, estando lá consigo imaginar os sentimentos que possivelmente lhe terão passado pela cabeça. 
Na minha (cabeça) ficou a visão clara de qual o caminho que temos que trilhar. Hoje, como naquela altura, a nossa hipótese é encarar o mar e perceber que esse é o caminho a percorrer. Fomos e temos de voltar a ser uma potência marítima, temos de assumir a nossa centralidade atlântica e perceber que somos a melhor porta de entrada para a Europa. Temos uma riqueza com que alguns apenas podem sonhar por explorar e se não o fizer-mos outros tomam o nosso lugar.  
A importância do mar esteve nestes últimos anos na agenda política, na agenda do governo. Espero que não saia pois será uma catástrofe para o nosso pais.
Estar na ponta de Sagres é inspirador até para os mais desinspirados, mas ao olhar para aquele penhasco fica também a ideia de que se formos mal conduzidos cairemos dele para o abismo. 


   
Serra da Estrela 
Espero que os tons cinzentos e castanhos que vestem parte da Serra actualmente se transformem rapidamente em verde de esperança.


 
Vila Viçosa, Alentejo 


Évora, Alentejo 

O Corredor

Após acabarem as aulas tive a hipótese de escrever um pouco de forma mais lúdica, algo que já não acontecia faz algum tempo. Fruto da vida atarefada que todos temos de levar, fruto de algum desleixo, fruto de alguma falta de inspiração, não sei. 

Cai a noite... dois vultos saem do carro parado ao fundo da rua. Duas capas negras, dois chapéus, quatro pares de luvas de cabedal preto e brilhante, quatro sapatos de sola ecoam como o único som na noite quente. Se não estivéssemos cá diria que eram da Gestapo.  
Por um longo corredor escuro e cinzento, duas sombras vão caminhando em direcção a uma porta fechada.
É tarde, em plena noite de verão. São 2 ou 3 da manhã, a lua brilha no céu, como única luz que tudo obscurece.
Ouvem-se os passos pesados dos quatro sapatos de sola a bater no soalho de madeira, perfurada pelo bicho e desgastada pelos anos de escuridão. Já lá vão quase 40.
Cada bater de sapato soa a um tiro na clandestinidade, é o arranque de um motor poderoso que arrastará uma vida para a extinção.
O fumo dos cigarros comprados ao início da noite, no café da esquina, enche o corredor e leva consigo a esperança de não ser descoberto.
É tempo...
Com o erguer da mão direita e com o punho cerrado bate três vezes. Três marretadas a ecoar pelo corredor, pela escada, pela porta da rua. Num corrupio sem fim.
Fora descoberto! Ficaram estarrecidos, com o medo do que significava esta visita tardia. Ele sabe, sempre soube que este dia chegaria... ela agora também.
Abre a porta com a altivez e a dignidade de alguém verdadeiramente livre. E com um rasgo de força deixa-se apartar por este ser cinzento que lhe pega docilmente com as suas mãos de ferro.
O outro... o outro fica a agarrá-la para garantir que a dor é ainda mais forte. Como uma foice a cortar a erva fresca, a separar a raiz da espiga.  
Está feito, fica o som no ar. Os quatro sapatos, que batem na madeira com a cadencia de uma marcha, são agora acompanhados pelo arrastar suave dos chinelos de pano cru. De braços caídos e pernas esticadas, enquanto é levado pelo corredor, pelas escadas, pela porta da rua. Deixa no ar a sua liberdade, contagiante... substitui o fumo do tabaco pelo cheiro forte da auto determinação que começa a florir.
Enquanto é metido dentro do carro que os espera no final da rua, solta o grito surdo de não o poderem vencer.
Ela ficou para trás. E com ela ficou toda a dor que conhece. Para onde vai... não o pode seguir, pelo menos agora. Mais tarde, com toda a certeza do mundo, sente-o em cada linha da sua pele, voltar-se-ão a reunir. Noutro espaço, noutro tempo, mas a dor está lá. Ficou retida naquele pequeno apartamento, ao fundo do corredor escuro, de soalho de madeira perfurada pelo bicho e desgastada pelos anos de escuridão. Já lá vão quase 40.    

O pequeno espaço, que outrora fora habitado por uma força enorme que carregava em si todas as coisas boas que ele e ela tinham para oferecer ao próximo, ficou agora a transbordar com a luz da lua, que tudo obscurece e que não deixa espaço para quase nada. Fica apenas no canto inferior direito, junto ao rodapé o pequeno craveiro de flores vermelhas que vão começar a abrir com os raios de sol da manhã.                       

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Portugal, que futuro?

Por convicção, não tenho qualquer tipo de preconceito contra a iniciativa privada e o mesmo posso dizer da iniciativa pública. Tenho para comigo que tanto o sector empresarial privado como o sector empresarial do estado devem de coabitar em concorrência, sem que nenhum deles seja prejudicado. Tenho ainda a convicção que certas áreas de investimento ou negócio não devem ser privatizadas por constituírem sectores vitais para a manutenção do estado de direito.

Assim sendo temos de ter muita cautela quando exercemos o poder público no sentido de influenciar o mundo empresarial.

Parece-me que querer proteger o estado em demasia é tão mau como “vender todos os anéis”. Quero com isto dizer que se é mau ter Golden Shares que dão poderes especiais na administração de certas empresas (caso da PT) não é melhor, bem pelo contrário, vender todas as empresas que dão lucro ao estado. É necessário ter uma visão clara do que se pretende para o pais, pesar todas as soluções, e decidir pela melhor, não em função dos interesses de algum grupo económico, mas de acordo com as necessidades de Portugal e dos portugueses.

Uma visão de estado democrático equilibrado e promotor de economia, a meu ver, contempla necessariamente a manutenção dos serviços de água e de electricidade sob a alçada do estado, assim como deveria ser o caso de outro sector com forte influência na balança energética que é o caso do sector petrolífero.

Se a electricidade é um bem que aparentemente pode ser concorrencial, todos sabemos que tendo em conta o número existente de empresas, este sector será sempre um monopólio ou será sempre dominado por um conjunto pequeno de empresas que podem combinar as tarifas entre si. Fazendo elevar os preços por forma a aumentar os lucros. Temos também de ter consciência que se trata de um sector vital para a sobrevivência económica do resto das empresas e dos cidadãos, por isso os preços têm de ser controlados de forma equilibrada, justa e por uma entidade que não olhe egoisticamente para si, mas para o futuro do pais. A título de exemplo lembremo-nos do que acontece com as empresas petrolíferas, onde se encontra a GALP. Quantos de nós quando vamos na auto-estrada não vemos os quadros informativos de preços? Todas as empresas têm o mesmo preço, é a completa subversão da livre concorrência e um atentado aos bolsos dos consumidores. 
  
A mesma realidade se passa com as águas, com a agravante de que este sector lida com um bem essencial à vida e portanto que não deve ser possuído por ninguém. As águas tem obrigatoriamente de ser de todos, correndo o risco de dar um poder inesgotável sobre a vida das pessoas a uma entidade privada.
       
Como recentemente afirmei no exercício das minhas funções públicas, “não sendo matemático, e muito menos economista, parece-me a mim que se uma família está em dificuldades o melhor passo não é vender o pouco que lhe dá lucro, mas sim tornar lucrativo o que dá prejuízo ou se houver alguém interessado vender essa parte”.

Desta forma, as privatizações a que o governo se propõe não se tratam de um imperativo para a sobrevivência do pais, nem sequer foi acordado com a troika, trata-se pura e simplesmente de uma opção ideológica de um neo-liberalismo desenfreado. Do mesmo neo-liberalismo que provocou a crise internacional com consequências mundiais. Liberalismo esse que se voltou para os estados quando se viu aflito e que agora volta as costas a quem o ajudou.

É com esta visão anti-estado que este governo vende a pouca riqueza que Portugal tem aos grandes grupos económicos, para que possam ser estes a lucrar.

É ainda com esta visão anti-social que este governo só vai vender o que é lucrativo ou o que pode ser convertido em lucrativo mantendo todas as áreas deficitárias sob o seu controlo.

Vejamos, pretende vender a RTP 1 (que pode ser lucrativa à imagem de SIC e da TVI), mas mantém a dois que é muito menos atractiva. Pretende conceder a exploração da CP Carga, dos ramais de Sintra e Cascais (que são lucrativos), mas mantém a restante estrutura que é deficitária. Pretende alienar a ANA, a participação na PT, a EDP, TAP, GALP, REN e parte das Águas de Portugal, mas terá sempre de pagar estes serviços e deixará de receber os seus dividendos.

Será este o caminho?

De acordo com o economista Eugénio Rosa, no seu recente estudo “a privatização das empresas públicas, para além do estado perder alavancas importantes de desenvolvimento e lucro, irá contribuir para agravar ainda mais o problema do défice e da dívida externa portuguesa”. Segundo o mesmo estudo esta situação de venda de património pode “aliviar a situação transitoriamente”, mas traduzir-se-á numa “perda de importantes fontes de receita para o estado” e constituirá “uma causa permanente de transferência de lucros e dividendos para o estrangeiro, agravando o saldo negativo da balança de rendimentos e, consequentemente, do défice e da dívida externa.

Em suma, parece-me que é inevitável que todos “apertemos o cinto” e aprendamos a fazer o mesmo, ou melhor, com menos recursos. Temos de nos educar a racionalizar custos, mas em momento algum temos de nos vender ao capital estrangeiro ou aos grandes grupos económicos, Portugal continua a depender de si para sair desta crise. Temos o conhecimento, temos as empresas e temos os trabalhadores necessários. Falta arregaçar as mangas e trabalhar. Nenhum dicionário apresenta melhorar como sinónimo de vender!


Mário Balsa