Uma página onde todos os temas são debatidos de forma aberta e frontal. Com especial atenção para a educação.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
O meu amigo
Num
certo dia, ainda o macaquinho era muito pequeno. Algo aconteceu no seio da sua
família. A mãe saiu para ir buscar água e nunca mais voltou.
Ninguém
soube muito bem o que se passou. Teria caído ao rio? Teria fugido daquela vida
difícil de privação, deixando para trás os três filhos e o marido? Teria sido
apanhada nalguma armadilha daquelas que a vida nos coloca? A dúvida cravou-se
na mente de quem ficou para trás. O pai não conseguia compreender, mas mais
difícil ainda era explicar aos filhos. Não conseguia explicar à irmã mais velha
porque tinha ficado sozinha a cuidar dos irmãos, porque tinha agora de assumir
um lugar que não deveria ser seu. Não conseguia explicar ao irmão do meio
porque tinha agora de fazer os trabalhos da escola sem a ajuda daquele ser que
costumava estar ali a seu lado quando voltava, ao fim do dia, para casa. E não
conseguia explicar ao macaquinho por que razão aquela cara familiar, que era o
seu símbolo de amor e carinho tinha desaparecido.
O
mundo desabava, o pai não trazia tanta comida porque não trabalhava tanto fora
de casa, mas também não dava a atenção e o amor que os filhos precisavam, como
era costume dar a mãe, não passava o tempo necessário com eles.
A
filha mais velha, sentia-se perdida, triste, sem rumo. Não compreendia porque a
mãe tinha desaparecido, não era justo o que a vida lhe tinha feito! A dúvida,
se teria sido abandonada, corroía-a por dentro não deixando espaço para dar
afeto aos irmãos e ao pai, a felicidade era agora uma rocha fria. Tinha de sair
dali e procurar um caminho, fazer-se à selva para encontrar o seu lugar...
Chegara o momento. Tal como a mãe, antes, também ela agora desaparecia. Deixou,
no entanto, um bilhete de despedida. Mesmo fugindo da vida que tinha levado até
ali, não ia conseguir viver com a culpa de deixar a dúvida no seu pai e irmãos.
Explicou o que sentia e desapareceu no meio daquela selva.
A
família que era de cinco estava agora reduzida a três.
O
pai não conseguia agora cuidar dos filhos que ainda estavam consigo. Começou a
faltar comida, o mundo de afetos que era aquele ninho morrera lentamente.
Primeiro com o desaparecimento da mãe e depois com a saída da irmã.
O
pai não conseguia cuidar dos seus filhos. Para trazer comida tinha de sair,
deixando os macaquinhos sozinhos e desprotegidos. Para os proteger, não podia
trabalhar e passavam fome. Tomou uma decisão, entregar o mais novo para ser
criado num Zoo. Lá estaria melhor – dizia o pai a si próprio. Teria outros
macaquinhos com que brincar, teria uma família que olhasse por ele. Assim fez.
Ficou apenas com o irmão do meio a seu cuidado. A separação de seu orgulho era
muito difícil, mas era para seu bem – repetia o pai a si próprio numa tentativa
vã de se convencer.
Os
anos passaram e os irmãos pouco contacto tinham uns com os outros, ou com o seu
pai. Sabiam, apenas, que a Irmã tinha mudado para uma selva diferente, mais a
sul, e que iniciara uma nova vida.
O
Irmão do meio, que tinha crescido e vivido na parte da selva ao pé da queda de
água, com pouco apoio do pai, tenha o hábito de se deslocar por caminhos
difíceis, achava que essa era a única maneira de ser aceite pelos seus amigos
da queda de água. Tantas fizera que o chefe dos macacos acabou por mandá-lo
prender numa jaula.
O
mais novo, que não conhecera a mãe – apenas se lembrava da sua cara triste, mas
meiga, crescera no Zoo e não sabia o que era ter uma família que lhe
transmitisse valores e educação. Os maus exemplos que toda a vida viu à sua
volta tornaram-no rude, agressivo e pouco simpático para os outros macacos. A
raiva que sentia de seu pai, por o ter abandonado à porta do Zoo, ainda tornava
a sua vida mais difícil.
Na
escola dos macacos, os seus colegas fugiam dele no recreio, por ele ser diferente.
Os tratadores diziam que era mal-educado e muito irrequieto – diziam que sofria
de Cafeína – e os restantes técnicos da escola empurravam-no de um lado para o
outro tentando sempre que fosse outro a estar com ele.
Quando
não estava a lutar com os colegas ou a mostrar os dentes para os tratadores, o
macaquinho estava fechado no seu mundo de pensamento, não deixando que ninguém
se chegasse. Por vezes sonhava que iria viver com a irmã mais a sul. Por vezes
achava que o pai o ia receber de volta e cuidar dele. Ou ainda, sonhava que o
irmão ia sair da jaula e os dois fariam uma viagem para bem longe daquele mundo
que o maltratava.
Não
sei se por simpatia, compaixão ou mesmo pena, a realidade é que fui um dos
poucos que se aproximou dele e lhe deu tempo para se libertar e dizer um pouco
do que sentia. Sim, sempre tive a sensação de que apenas me contou um pouco de
todo aquele sofrimento. A verdade é que mesmo comigo não se dava muito a
conhecer, talvez com medo de que também me fosse embora, talvez sabendo que
chegando ao fim do ano eu iria para outro zoo e seria mais um a abandoná-lo.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
O Computador
Ontem
liguei o computador da minha sala e algo de estranho aconteceu. Parece que
ganhou vida própria. Logo depois de o iniciar, começou a mandar-me mensagens.
Primeiro
disse que tinha a memória cheia, que tinha de libertar espaço. Depois, ainda
não tinha desaparecido a primeira mensagem, já me estava a dizer que tinha
vírus, spam, vermes, cavalos de troia e toda uma fauna que eu não compreendia o
significado ou mesmo a razão de existir. A certa altura desta interminável
lista de monstros desconhecidos, disse-me mesmo que era uma bomba-relógio a
qual eu senti prestes a estoirar.
Sempre
que tentava fazer alguma coisa, sempre que tentava que funcionasse como é
normal um computador funcionar, lá vinha ele com os seus erros e mensagens.
Problemas
de memória, problemas de disco, problemas disto... problemas daquilo... Estava
a começar a ficar farto. Como é que é possível trabalhar se o material não
colabora? Estava cansado, frustrado, desanimado, prestes a baixar os braços e
desistir daquela máquina que insistia em fazer o contrário do que eu queria.
Parei,
fiz um intervalo, tentei distrair a mente com um livro, mas não consegui ler,
como é natural. As ideias daquele momento não paravam de esvoaçar na minha
cabeça. Toda aquela agitação de doenças e síndromes estranhas rodopiavam num
turbilhão impedindo-me de ver a solução para o caso. Nessa altura entrou o
professor da sala ao lado e perguntou-me o que se passava.
Respondi-lhe
de imediato que o computador estava avariado, que os problemas eram tantos que
o melhor era mandá-lo embora. Já não queria saber. Afinal de contas sempre fora
lento e dera problemas. Devia ser defeito de fabrico.
-
Mas tu sabes alguma coisa de computadores? – Perguntou-me ele com ar
desconfiado - Se não percebes do assunto, o que te leva a pensar que podes
fazer diagnósticos e apontar soluções? Deixa isso para quem sabe.
Parei
o meu mundo sobre aquelas palavras. Valia a pena tentar.
Levei
o malfadado objeto ao especialista e esperei. Passados 30 minutos apareceu o
técnico com o seu veredito. Precisava de mais tempo, não era possível, em tão
pouco tempo, corrigir todo o mal que as pessoas que com ele trabalharam lhe
tinham feito. Estava cheio de informação inútil, de vírus e outros problemas
que vinham dos sítios visitados e dos programas instalados. Mas uma coisa era
agora clara, todos os problemas tinham a sua raiz no pouco cuidado que todos
tivemos com ele.
Decidi
esperar e ter paciência, podia ser que desse resultado.
Regressava agora à
escola na expectativa de ver as suas verdadeiras capacidades. Não sabia até
onde me poderia acompanhar, mas sabia que o tinha de cuidar e povoar de bons
objetos.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Quando o acessório se torna essencial!
Falou-se do congresso do CDS, do caso do Meco, das pinturas de Miró e a seguir vamos ouvir falar do congresso do PSD. Pelo meio lá vamos tendo algumas notícia sobre a fragilidade da nossa economia, os seus pequenos e frágeis pontos de recuperação, exaltados como milagres pelo governo, e os seus muitos pontos de desequilíbrio, completamente apagados pela propaganda oficial.
Não tenho dúvidas que até seriam notícias com algum interesse, não fosse o momento dramático que atravessamos.
Enquanto se discutem os Miró, não se fala de um plano estratégico para a Cultura. Enquanto o Ministério da Educação discute as praxes, ninguém sabe quais as medidas de Crato para o próximo ano lectivo. Enquanto se fala de indicadores positivos da economia e de captar potencial humano estrangeiro, ninguém discute o que fazer com o exército de desempregados que existe em Portugal.
Estamos mal, estamos muito pior do que estávamos há 3 anos atrás e o governo continua sem apresentar ideias para o futuro.
Quando o acessório se torna essencial quem perde é Portugal.
O mestre das crianças!
Certo dia perguntou-me a minha mãe:
- O que queres ser quando fores grande?
Esta é uma daquelas perguntas simples que os
pais fazem às crianças. É também uma pergunta simples para a qual,
ingenuamente, esperam uma resposta ainda mais simples.
- Quero ser astrónomo! Dizem uns que sonham
com as estrelas...
- Quero ser homem do lixo! Dizem outros que
sonham com o vento fresco da manhã a bater na cara de quem viaja alegremente,
pendurado na traseira de um carro do lixo.
- Não sei... Deixa-me pensar um pouco e já te
digo!
Ao contrário da resposta direta pretendida
pela minha mãe, esta pergunta irrompeu pelo meu espírito e travou qualquer
resposta impensada, irrefletida ou pouco ponderada que pudesse surgir no meu
íntimo.
Sem dizer mais nada, afastei-me a pensar
naquela simples pergunta.
Dei comigo sentado no ramo de uma figueira,
que os meus avós têm no cerrado, a pensar no que queria ser quando fosse
grande.
- Professor! É isso, quando crescer quero ser
professor...
Mas o que é isso? Um professor é uma pessoa que sabe muito, que é
perito em alguma coisa. É alguém que sabendo muito passa esse saber a outros
que o queiram. E eu queria saber muito, sempre gostei de estudar, mas nunca
gostei de ser obrigado a estudar. Estava então decidido!
Sabendo que esta decisão estava muito próxima
da minha vontade, havia algo nela que me inquietava.
E quem não quiser aprender
o que eu tenho para oferecer? Tenho de ser professor desses? Como é que se
ensina alguma coisa a quem não quer aprender?
Ensinar e aprender pode acontecer, mas os
alunos têm de gostar do que estão a estudar. Como acontece nas universidades.
Só vai para a universidade quem quer, logo são todos bons alunos, pensava eu.
Mas, e até lá? Até à universidade é preciso
estudar muito e são precisos muitos professores que ensinam o que os alunos
querem e o que não querem.
E esses? Como é que esses ensinam? Se para eu
aprender tenho de gostar do que vou aprender, tenho de querer aprender, então
como é que um professor me pode ensinar o que eu não quero aprender? Eu que quero
ser professor, como é que vou ensinar os meus alunos se eles não quiserem
saber?
Quando estou na escola, há disciplinas para
onde gosto de ir, mesmo sem nunca ter pensado se gosto da matéria ou não. Gosto
de ouvir o professor e sei que o professor me ouve. Até posso gostar da
matéria, mas a verdade é que neste caso não penso nisso. Nem sequer penso no
que vou aprender. Vou para a aula apenas porque me sinto lá bem.
Eu gosto de desenho, e vou sempre para EVT
com muito gosto, porque gosto de desenho. Mas eu nunca gostei de Inglês, no
entanto gosto do professor e sinto-me bem na sua aula.
Não basta o professor saber muito, ele também
tem de ser importante para os alunos, o professor tem de ser um exemplo, um
modelo que os alunos queiram seguir. Esta é a forma de fazer com que os que não
sabem o que querem, ou que não querem saber, se entreguem e aprendam. O professor
tem de ganhar os alunos e tornar-se no seu mestre.
Tal como a lagarta que calmamente faz o seu
caminho até se transformar em borboleta e ganhar asas para voar, também o
professor deve fazer a sua viagem com os seus alunos para que estes ganhem o
conhecimento que lhes permita serem críticos, pensantes e conhecedores do seu
caminho.
Desci do meu ramo de figueira e voltei a
entrar em casa. Os meus pais e os meus avós estavam sentados à mesa.
Aproximei-me e verbalizei com ar solene:
domingo, 16 de junho de 2013
Canta-se o hino na manifestação de professores!
É necessário que Portugal entenda que a luta não é pelos professores enquanto classe. A luta é pelo sistema de ensino e consequentemente pelos alunos e pelo futuro do país.
O aumento de alunos por turma, a redução do número de professores nas escolas a instabilidade provocada por alterações constantes ao corpo docente das escolas (agora estendidas a quem já estava no quadro). Esses sim são problemas que, entre outros, afectam de forma dramática o futuro dos nossos alunos e do nosso país.
Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.
Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.
Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.
Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Faz hoje dois anos que Portugal perdeu a sua independência. Nas palavras de Lobo Xavier (CDS), uma perda de independência desejada e provocada pelos partidos da actual maioria (PSD e CDS). Neste dia só tenho de dar os parabéns aos portugueses por terem aguentado dois anos de incumprimentos, de violações da constituição, de degradação do estado social, da função pública e da classe média, por terem visto os seus rendimentos reduzirem, os impostos aumentarem, a dívida pública e o défice crescerem e a economia colapsar, por terem passado por tudo isto com uma disposição, com um espírito de sacrifício e com um sentido de estado que tem faltado a quem tem responsabilidades. PARABÉNS!!!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Contrato de trabalho precisa-se
Neste dia 1.º de Maio (DIA DO TRABALHADOR) mais do que tudo importa reflectir sobre a actualidade. Importa perceber porque vivemos tempos tão conturbados. Não basta sair à rua para nos manifestarmos ou desfilarmos na parada de uma qualquer central sindical, como tão bem tem sido feito ao longo dos anos com os resultados que todos conhecemos. Não basta ficarmos em casa a escrever nos blogs ou nas redes sociais contra um governo que espreme os trabalhadores, com os resultados que todos sabemos que essas acções têm.
Neste dia 1.º de Maio é importante percebermos que separados os trabalhadores não têm força, é importante percebermos que separados a força dos trabalhadores se transforma na força do governo. Um governo que continua a olhar para a face da moeda que privilegia a austeridade esquecendo que do outro lado da moeda se encontram as políticas de crescimento.
Será que, mesmo reconhecendo eu a necessidade de contenção económica e redução da despesa pública como um caminho que tem de se fazer, este governo PSD não consegue governar dentro da legalidade?
Nº 2 do artigo 208, da lei nº 59/2008 - "o trabalhador tem direito a um subsídio de férias de valor igual a um mês de remuneração base mensal, que deve ser pago por inteiro no mês de Junho de cada ano".
Este é apenas um exemplo que serve para ilustrar a força que este governo tem. Governa contra a constituição, governa contra a lei, governa contra os trabalhadores, governa contra os portugueses, mas governa com o apoio total do PSD e do CDS, numa maioria absoluta que aparentemente legitima todas as decisões que desejarem tomar, dentro ou fora da legalidade, e com a total protecção do Presidente da República, que se mostra duro com a oposição e altamente complacente com o governo.
O caminho a percorrer pelo estado é difícil e não é possível de alcançar com este governo e muito menos com esta política. A economia está destruída e carece de uma mudança de políticas urgente. Precisamos de políticas de crescimento e de emprego. Temos de aumentar a capacidade produtiva a todos os níveis e para isso precisamos de políticas de investimento publico e privado, mas também precisamos de mais Europa, de uma Europa mais solidária entre si e mais solidária para com os seus povos. Temos de de recordar, reavivar e implementar os ideais fundadores do projecto europeu, liberdade, igualdade e fraternidade.
Neste 1.º de Maio, perante o cenário de catástrofe económica e laboral que vivemos, 17,5% de taxa de desemprego, cerca de 1,5 milhões de desempregados, mais uma vez, reflicto e confesso a minha frustração por ver apenas uma acção relativa da parte das organizações dos trabalhadores.
Porque não foi o dia do trabalhador comemorado em conjunto como uma "grande festa" reivindicativa?
UGT - Avenida da Liberdade;
CGTP - Alameda; e
FENPROF - Avenida 5 de Outubro;
Afinal por que se batem as organizações sindicais? Não defenderão todas o trabalhador? Não pretenderão todas que os seus associados tenham as melhores condições de trabalho possíveis? Mas mais importante que tudo, não pretenderão as centrais sindicais que a taxa de desemprego baixe dos 4% e se aproxime do pleno emprego?
Separados não vão lá. Sem consciência da realidade não vão lá. Sem se sentarem na concertação social não vão lá. Sem representarem verdadeiramente quem trabalha... não vão lá.
terça-feira, 30 de abril de 2013
A procura interna na crise!
A procura interna é um dos pilares fundamentais de uma economia e logo o seu abrandamento provoca uma quebra profunda nos indicadores económicos. O modelo de austeridade pretende contrair a procura interna e substitui-la pelas exportações. Dizem os entendidos que assim melhoramos a balança comercial. Eu pergunto: se todos fizermos o que aqui é descrito como é que se exporta? Para onde?
Podemos afirmar que esta política está mal desenhada, especialmente se defendemos modelos mais equitativos, mas a realidade é que esta política não está mal desenhada, está é desenhada para bem de apenas alguns.
Há quem esteja a passar a ideia de que vivemos tempos de conflito entre países do norte (com economias mais fortes) e os do sul (com as economias a passar por uma fase mais frágil), nada podia estar mais errado. O conflito existe, mas não é entre países. O Conflito que se sente hoje é um conflito ideológico, um conflito entre direita e esquerda. Um conflito entre a Social Democracia e o Conservadorismo Económico. Um conflito entre as pessoas e o dinheiro.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Excerto da minha intervenção no jantar de apresentação da candidatura "Entroncamento Uma Cidade Para as Pessoas". Candidatura do Partido Socialista do Entroncamento encabeçada por Jorge Faria.
O meu discurso
Boa noite a todos!
Quero, em primeiro lugar, agradecer a
presença desta reconfortante moldura humana no lançamento da candidatura do
Partido Socialista à Câmara Municipal do Entroncamento.
Entroncamento uma cidade para as
pessoas!
Candidatura encabeçada pelo nosso
amigo Jorge Faria, que muito nos honrou ao aceitar ser o nosso candidato, o
candidato de todos os socialistas.
Agradeço também aos vários candidatos
a presidentes de autarquias que aqui se encontram o forte contributo que, com a
vossa presença, estão a dar ao lançamento da nossa candidatura.
Não posso deixar de enaltecer e
agradecer a presença do meu grande amigo Hugo Costa. Presidente da Distrital do
Ribatejo da Juventude Socialista e companheiro de inúmeras lutas. Desde os
tempos em que ainda andávamos os dois pela J.
É sempre um gosto enorme receber-te
no Entroncamento!
António Gameiro, meu amigo e grande
amigo do Entroncamento! É um dever para cada socialista reconhecer a dinâmica
que introduziste na federação de todos nós. Espaço de debate e de afirmação
política que muito nos orgulha e que sem sombra de dúvida preparaste para
ganhar 2013.
Obrigado por todo o apoio!
Deixo o último agradecimento para o
próximo Primeiro-Ministro de Portugal!
António José Seguro!
Obrigado camarada!
A tua presença é uma inspiração para
a nossa candidatura, sabemos que podemos contar contigo e com o teu apoio. Queremos
que saibas que podes contar com o apoio do PS Entroncamento em toda a linha.
Conta connosco para as lutas do
Partido Socialista!
Conta connosco para as lutas que
travas para desenvolver um Portugal mais solidário, mais justo, mais
democrático.
Enquanto houver alguém com
responsabilidades governativas que continue a olhar para nós como simples
números, sem a sensibilidade social para entender que o desemprego não é uma
oportunidade ou que o atual salário mínimo nem sequer é digno desse nome.
Temos de lá estar. O PS tem de lá
estar.
Na linha da frente do combate político. A
mostrar as alternativas e a fazer ouvir a nossa voz!
Conta connosco caro Secretário-geral!
Mas porque o Entroncamento, em
especial esta noite, é a estrela. É nele que me quero centrar.
A herança do PS no Entroncamento é
vasta e de qualidade, durante a governação do Camarada José Cunha, que todos
nesta sala se lembram, construímos marcos importantíssimos da dinâmica da nossa
cidade. Por exemplo:
As piscinas municipais ou o Pavilhão
Desportivo Municipal.
Mas o marco mais importante da
governação PS no Entroncamento, a característica que melhor nos representou e
representa, é a governação para as pessoas.
Enquanto estivemos na Câmara, o
Entroncamento era o centro comercial do Ribatejo. Era uma cidade em que o
comércio prosperava, em que as pessoas se conheciam, que tinha comércio
tradicional, que tinha vida durante o dia, mas que também tinha vida durante a
noite. Que tinha uma área verde (O Bonito) que era utilizado pelas pessoas como
espaço comunitário de convívio.
O Entroncamento era uma cidade que
tinha oportunidades para os filhos da terra!
Mas... o que temos hoje?
Passados 12 anos de governação PSD, o
comércio tradicional está a definhar!
A vida em comunidade desapareceu!
A segurança é uma miragem!
A vida de bairro morreu e as
oportunidades para as próximas gerações estão hoje hipotecadas.
Esta é uma câmara que o PSD deixou
com problemas financeiros sufocantes, uma autarquia que se viu obrigada a pedir
um resgate financeiro, mas que ao mesmo tempo não deixou de gastar milhares de euros na
construção de um restaurante que dificilmente terá ocupação (mesmo que cedido a
custo zero) na zona do Bonito.
Eu pergunto: é função de uma
autarquia híper endividada servir de promotor imobiliário para a restauração?
Se as dívidas foram criadas, para
onde foi o dinheiro?
Onde está a prometida biblioteca?
Onde está um centro cultural ou uma
sala de espetáculos?
Onde está a ETAR necessária para a
dimensão do nosso concelho?
Onde está uma estação digna da nossa
herança ferroviária?
A autarquia passou os últimos anos de
costas voltadas para a ferrovia, deixou passar programas atrás de programas
para requalificar a estação e acabou com uma infraestrutura desadequada e insegura,
que não serve nem os profissionais nem a população, como está à vista de todos!
Chegou a estar inscrito em orçamento
de estado uma verba para requalificar a estação, ao abrigo do programa estações
com vida, que não foi aproveitada por falta de competência de quem lidera a autarquia.
Pode-se mesmo dizer que o
Entroncamento ficou a ver passar os comboios nos últimos 12 anos.
Muitos são os exemplos de promessas
feitas pelo PSD que não foram cumpridas, muitos mais são os exemplos de
políticas desastrosas aplicadas que nos trouxeram até ao buraco financeiro em
que a Câmara se encontra.
É tempo de dizer basta! É tempo de
mostrar que é possível!
É tempo de voltar a afirmar o
Entroncamento como “Uma Cidade para as Pessoas”!
Para o fazer o Entroncamento só pode
contar com o PS!
Só pode contar com a candidatura de
Jorge Faria!
Um entroncamentense de há 50 anos.
Filho de Ferroviário. Autarca e conhecedor da nossa cidade como ninguém.
Tem visão e experiência administrativa suficiente para retirar a nossa cidade do problema financeiro em
que se encontra e devolver o Entroncamento às pessoas!
Viva o Partido Socialista!
Viva o Entroncamento!
Viva Portugal!
Com o resgate do Chipre, e as suas contrapartidas, chegou a rutura financeira e política na UE.
É mais do que claro que o problema principal não está nos países intervencionados, mas sim na inoperância e na falta de visão social dos atuais intervenientes do projeto europeu, um bando de tecnocratas de direita que ocupam as cadeiras da Comissão e que dominam o Parlamento Europeu, a sua política financeira conduziu a União de Delors, de Soares ou de Kohl para um abismo do qual será muito complicado recuperar.
Será que a tecnocracia da UE vai continuar a vender a ideia que os países do sul, cada um com o seu tipo de economia, são todos um bando de calões mal governados?
Como se os problemas internos da UE não fossem já de si complicados de resolver, o Chipre é um "offshore" onde muitos magnatas Russos colocaram as suas fortunas, vamos ver qual vai ser a posição diplomática Russa. Não acredito que se calem e vejam o seu dinheiro a desaparecer sem dizerem nada.
A Europa está numa bifurcação na qual terá de decidir que caminho seguir.
Se quer funcionar como um país (federação) olhando e cuidando do povo europeu. Então os eurobonds tem de ser uma realidade, a dívida pública dos estados tem de ser mutualizada, com o BCE a controlar o sistema financeiro europeu na sua totalidade e de forma clara. Ganhando desta forma economia de escala e capacidade de competir no mercado global. Assumindo-se a Europa como a superpotência mundial que nenhum dos seus estados membros tem capacidade de ser de forma individual.
Ou se a saída é o desmembramento económico e político da União. Deitando por terra, com esta decisão, as conquistas sociais que vêm de tempos tão remotos como a revolução francesa e continuam a necessitar de ser aprofundados (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Afundando a Europa nas suas divisões e rivalidades internas, aprofundando os ódios entre os povos da Europa e perdendo toda a capacidade de competir com as grandes economias do mundo, as tradicionais ou as emergentes.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Vivemos tempos muito conturbados a fazer lembrar outros tempos. Música de intervenção, revoltas estudantis, o Cardeal Patriarca a afirmar que o povo aguenta tudo menos a política abusiva. Temos de moralizar os actores.
Se os meus lucros sobem eu não posso dizer que quem empobrece aguenta. Se eu não pago impostos não posso dizer que quem paga aguenta. Se eu governo não posso exigir cortes em nome da troika para camuflar medidas puramente ideológicas.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A destruição do estado como o conhecemos
O Primeiro-ministro, depois de aprovar o pior orçamento da
história da democracia portuguesa vem agora dizer que vão existir cortes
significativos na educação e no estado social e que se recusa a renegociar a
dívida. Que homem é este que prefere ver a população portuguesa a sofrer e a
economia a colapsar a renegociar as condições financeiras da assistência ao
pais?
Enquanto
anuncia que não vai renegociar a dívida, que vai “acabar” com o estado social,
que vai promover cortes significativos na educação, que vai continuar a tratar
a saúde como um peso para o estado, que vai continuar a promover o aumento do desemprego
e a redução do poder de compra, que vai continuar a afundar a economia o Dr. Passos
Coelho afirma que está numa missão patriótica.
O último português que se autointitulou embutido de uma
missão patriótica, numa altura em que as finanças dominavam a economia, foi o Dr.
Oliveira Salazar.
sábado, 10 de novembro de 2012
Audição Parlamentar Educação Especial
É urgente defender a escola e a educação pública. O ensino público em Portugal deve ser a referência de qualidade pelo qual o sistema de educação se deve pautar, mesmo que para isso se tenha de reconhecer algumas insuficiências e alterar alguns paradigmas.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Este vídeo foi-me apresentado por um aluno meu algo receoso pelo seu futuro! Esta é a altura em que os professores se devem manifestar, quando os alunos se sentem receosos... sem um futuro à vista. É para evitar isto que devemos lutar. Lutar contra o desacreditar dos nossos alunos. Lutar contra o desmantelamento da escola pública. Lutar contra quem, com ar de desdenho, goza com o futuro do seu país!!!
domingo, 4 de março de 2012
O futuro será o passado!
Com o país mergulhado no caos económico e completamente subjugado ao primado da finança sobre o humano, num devaneio neoliberal insensato que substitui o valor da vida humana pelo valor da moeda, esta foto é a metáfora perfeita de Portugal.
O lugar é o Castelo dos Mouros em Sintra. Atento à sequência de bandeiras, começa-se a entender a evolução de Portugal ao longo dos tempos e a perceber que a evolução foi ingreme e dura, difícil de escalar, como a escada que acompanha as bandeiras.
Mas esta evolução foi sempre feita com o apoio da população e com o objetivo final de melhorar Portugal e a vida dos portugueses.
Desde os tempos da fundação que foi o povo que esteve na base das grandes decisões. D. Afonso Henriques teve ao seu lado os concelhos (a população) na luta contra a Leão e Castela e a alta nobreza portuguesa. E saiu vencedor.
Hoje, aproximadamente um milénio depois, voltamos a ver o povo confrontado com o pagamento dos devaneios da alta nobreza (banca e alguns grupos económicos) a cair sobre os seus bolsos, a diferença é que ao contrário da altura a atual liderança dos destinos do país está ao lado da alta nobreza contra os concelhos, tal como no tempo do domínio filipino.
Mas não nos iludamos, tal como em 1640 já se sente o surgimento do grupo dos conjurados, ou como em 1974 o surgimento do movimento dos capitães, que devolverá a ordem correta às coisas, que retirará Portugal da camisa-de-forças em que está. Colocado por um governo que só vê dinheiro, estatísticas e austeridade, e não percebe que atrás desses números estão pessoas a passar mal.
Portugal precisa de um líder que cumpra o que promete, mas que diga basta quando é preciso que bata o pé aos grandes interesses económicos, que defenda a população e que se lembre que é português, não um ministro das finanças qualquer colocado por quem lucra milhões com a atual situação do país.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O nó aperta sobre quem verdadeiramente trabalha.
Serei só eu, talvez por ser de letras, que acho que empobrecer e estrangular cada vez mais os trabalhadores e a população portuguesa tem apenas como consequência directa afundar as empresas nacionais e o país?
sábado, 31 de dezembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
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