domingo, 7 de junho de 2015

Convenção do Partido Socialista

Deixo aqui as ideias que defendi no passado sábado, no painel da educação da convenção do Partido Socialista.


 
A principal competência da escola é, por maioria de razão, preparar o futuro do nosso país.

E para que Portugal tenha o futuro que todos desejamos, precisa de um sistema de ensino forte, de uma escola pública que se afirme como o referencial de qualidade que a todos serve e que a todos oferece as mesmas oportunidades.

Não tenhamos ilusões, uma sociedade só é justa e fraterna se tiver um sistema de ensino exigente, que chegue a todos e que qualifique as gerações para os desafios do futuro. Que prepare os cidadãos para viverem numa sociedade coesa e progressista, que promova a empregabilidade e a competitividade. 

É necessário promover um combate feroz ao insucesso escolar e apostar na medida que prevê os 12 anos de escolaridade obrigatória.

A aposta na qualificação das sucessivas gerações foi o que permitiu aos países do Norte da Europa, nomeadamente a Finlândia, resolver o seu problema de subdesenvolvimento e pobreza crónica, em que viviam no início do Séc. XX. Hoje, e de alguns anos a esta parte, são dos países mais desenvolvidos do mundo, com índices de qualidade de vida altíssimos.     

Ensino pré-escolar e básico

De 2011 a 2015 o insucesso escolar aumentou no ensino básico, após anos de progressos significativos.

É urgente garantir que todas as crianças concluem o ensino básico com uma educação de qualidade.   

A quem põe em causa medidas de redução do insucesso ou os 12 anos de escolaridade obrigatória, é importante responder com a convicção de que ninguém é verdadeiramente livre com baixas qualificações.

É por isto que é urgente defender um ensino básico e pré-escolar global e comum a todas as crianças.

É hoje reconhecido por todos a importância de um ensino pré-escolar universal, que prepare os alunos para o ingresso no ensino com as suas competências devidamente estimuladas e desenvolvidas.

Temos também de garantir que o ensino básico seja o tronco comum que permitirá uma qualificação universal de qualidade para todos os portuguese. Uma qualificação que englobe desde o ensino das Artes, à Matemática ou às Línguas.

O currículo tem de ser universal e claro quanto ao caminho que a escola tem de percorrer, quanto ao país que a escola deve almejar.  

O currículo atual é uma amálgama de diplomas, pouco coerente e que estimula o cumprimento das metas como fim em si mesmo, quando o fim tem de ser mais lato e as metas serem o caminho para lá chegar.

Os profissionais da educação precisam de saber de forma clara o que lhes pedem para poderem responder.

É imprescindível que o professor volte a ser professor. O país não se pode dar ao luxo de desperdiçar de forma contínua as competências dos profissionais de educação.        

É preciso estabilizar os profissionais para promover as aprendizagens.

 Os vínculos humanos estabelecidos entre professores e alunos são a base do sucesso da dicotomia ensino/ aprendizagem. Para que tal aconteça é necessário promover uma colocação de professores que evite o caos a que se assiste no início de cada ano letivo. É necessário promover a estabilidade do corpo docente nas escolas.

Só deste modo devolveremos a confiança dos alunos nos seus professores, reforçando a autoridade e a estabilidade na sala de aula.   

Neste contexto de escola de qualidade para todos, de escola que não deixe nenhum português para trás, tenho de realçar a importância da acção social escolar na correcção dos desequilíbrios sociais à entrada para a escola, assim como no decorrer dos 12 anos de escolaridade obrigatória.

Este é um mecanismo que tem de ser utilizado tanto no combate ao insucesso como na promoção de igualdade de oportunidades de acesso à escolarização.    

 Ensino Secundário  

Paralelamente à valorização do ensino básico como um tronco comum, valorizar o ensino secundário, diversificando a oferta formativa e adequando-a às necessidades sentidas pelos alunos, pelas comunidades em que se inserem, e pelo país deve ser o objetivo.

Não podemos continuar a ter um ensino profissional desvalorizado e visto como um caminho para onde são enviados os que não querem aprender. Um ensino profissional que não dá resposta às necessidades do tecido empresarial e da sociedade.

O Ensino profissional tem de ser a primeira linha de resposta para a empregabilidade, mas também para a progressão de estudos.

Por forma a valorizar o sistema de ensino e a permitir uma melhor adequação ao que lhe é exigido, é fundamental alargar significativamente tanto o regime de autonomia de gestão das escolas como a autonomia pedagógica dos docentes.   

 


Educação de adultos

Em 2011 foi cancelado um programa fundamental para responder ao défice de qualificações dos portugueses, as novas oportunidades.

Quando sabemos que mais de 60% da população não concluiu o secundário, e que a sociedade até por via da elevada taxa de desemprego está a mudar, é imperativo implementar um sistema de educação de adultos que responda às necessidades do país. 



Ensino Superior   

O aumento das qualificações dos portugueses deve ser uma prioridade. E se esta premissa é valida desde o Básico ao Secundário, também o é no ensino superior.

Portugal ainda está bastante abaixo da média europeia no que respeita à percentagem de licenciados. A democratização do acesso ao Ensino Superior é uma urgência nacional se queremos tornar o país competitivo por via da especialização e do valor acrescentado.

Só deste modo conseguiremos romper com o paradigma da mão-de-obra barata que vem do séc. passado.

Para que tal aconteça, temos de evoluir para um modelo de maior autonomia das instituições e de maior estabilidade no financiamento do Ensino Superior. Um modelo que potencie, que estimule o diálogo e as parcerias entre instituições, mas também entre estas e as comunidades onde estão inseridas.

Aumentar os índices de articulação entre instituições, reforçar a especialização dos docentes e promover a investigação é um caminho que tem de ser percorrido para aumentar o sucesso educativo e as qualificações.     

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Educação e o Portugal 2020

A portraria 60-c de 2015 define o enquadramento do Portugal 2020 para a educação. Este enquadramento, pela sua forma suscita-me algumas dúvidas. Gostaria de aqui relevar duas delas.
Primeiro a questão lata da aplicação dos fundos.
Aquilo que aparentemente é um bolo significativo que pode contribuir de forma decisiva para reduzir os problemas sentidos nas escolas, corre o risco de ser rateado de tal forma que a fragmentação das verbas acaba por ser um impeditivo à implementação de projectos de carácter mais estruturante. A exemplo do que já se sente em outras áreas temáticas. Devemos, por isso, ser criteriosos na sua aplicação.
O segundo ponto é a pergunta de um milhão de euros. Que escola devemos ter no futuro?
Claramente, quem está nas escolas não sabe para onde ir (no sentido lato). Executa-se meta a meta sem uma noção global do caminho que a escola deve trilhar, o currículo é uma amálgama legislativa sem noção de globalidade. Talvez, digo eu, esta realidade apareça porque a escola está órfã. A sua mãe, a sociedade também não sabe para onde quer ir.
Mas é nestes momento de dificuldade que a escola pode marcar a diferença. A escola tem de se encontrar para, com a sua capacidade de produzir sociedade, nortear o futuro.
No entanto, "não há bons ventos para quem não sabe para onde vai". Como podemos fazer uma aplicação criteriosa dos fundos se não sabemos que escola queremos, se não sabemos que sociedade queremos!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Não são os portugueses que têm a culpa



"Os municípios têm feito o seu trabalho, um excelente trabalho. Os portugueses têm sido pacientes e têm colaborado com o governo em tudo o que lhes tem sido exigido, mas há uma altura em que temos de dizer basta!"

quarta-feira, 11 de março de 2015

Opinião Política - "Dia da Mulher"


 
 
O dia da mulher é mais do que uma mera marca da existência da mulher, assinala a luta por direitos iguais para todos!


segunda-feira, 2 de março de 2015

Opinião Política - "Educação! Que problemas e que soluções?"


 
 
"O processo de descentralização de competências tem de ser visto, em primeiro lugar, numa lógica regional, aproveitando o modelo que já existe com as CCDRs, e só depois passar para o plano local.
(...)
Precisamos de uma escola mais autónoma e mais democrática.
Precisamos de uma escola que nos faça crescer enquanto sociedade, mas que não deixe nenhum português para trás."

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Opinião Política na Rádio Voz do Entroncamento - "Saúde para ricos ou saúde para Todos?"


 
 
Não sou um especialista em saúde, mas perante a pergunta se defendo uma saúde para ricos ou para todos?
A minha resposta é… claramente saúde para todos!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

2015-01-27 Opinião Política na Rádio Voz do Entroncamento


 
A minha opinião sobre as eleições na Grécia, a opção pela austeridade cega do governo PSD/CDS e o Sarau Solidário - Ilha do Fogo.   

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Evolução do ensino em Portugal - Conclusões


A parte final da minha intervenção no colóquio "A Escola Ontem, Hoje e Amanhã".

O evento foi promovido e organizado pela associação para a promoção da saúde mental infantil e juvenil, DevelopMind, em parceria com a Associação de Pais da Horta Nova e com a Junta de Freguesia de Carnide.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Massificação, Democratização e Inevitabilidade de Competitividade Económica do Ensino



A minha intervenção na "Conferência sobre Direitos Fundamentais da Criança e Educação Inclusiva". A organização coube à 1.ª e 8.ª Comissões Parlamentares e realizou-se na sala do Senado da Assembleia da República. 

O Mar nos Açores



Um pouco do que vi e filmei no Mar dos Açores!

As cores, a calma, o tamanho, a beleza de tudo à nossa volta. Uma boa forma de descontrair!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Prova de avaliação de competências para professores

Que fique claro que sou favorável à avaliação de professores. Uma avaliação contínua, em contexto e tendo em conta as contingências educativas que o professor vive.
No entanto, sou frontalmente contra a prova de avaliação a que alguns professores são agora sujeitos.
É um atestado de incompetência às universidades, politécnicos e  responsáveis pela formação dos novos docentes. E é o ministério, mais uma vez, a aumentar o centralismo e a questionar a competência de um grupo de pessoas, altamente qualificada, mas constantemente atacada e desmoralizada pela tutela.
A competência do Ministério de Educação  é pugnar pela existência de formações de professores de excelência. E a partir desse ponto deixar que as Universidades e os seus técnicos façam o trabalho que lhes compete, que é saber se os alunos têm ou não nível de conhecimentos suficiente para concluir a sua formação.
Esta prova, a meu ver, não foi desenhada para avaliar. Serve para desviar as atenções de outros problemas mais graves que afectam a educação.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O meu amigo


            Há alguns anos atrás tive um macaquinho amigo meu que me contou a sua história. Tinha nascido numa bela selva africana, junto a uma queda de água. Era o orgulho do seu pai. A mãe cuidava dele e de dois irmãos mais velhos. Na realidade era um irmão e uma irmã. A mãe e a irmã cuidavam dos dois irmãos enquanto o pai trabalhava para trazer a comida para o ninho da família. A vida não era fácil, mas estavam juntos e apoiavam-se.

Num certo dia, ainda o macaquinho era muito pequeno. Algo aconteceu no seio da sua família. A mãe saiu para ir buscar água e nunca mais voltou.

Ninguém soube muito bem o que se passou. Teria caído ao rio? Teria fugido daquela vida difícil de privação, deixando para trás os três filhos e o marido? Teria sido apanhada nalguma armadilha daquelas que a vida nos coloca? A dúvida cravou-se na mente de quem ficou para trás. O pai não conseguia compreender, mas mais difícil ainda era explicar aos filhos. Não conseguia explicar à irmã mais velha porque tinha ficado sozinha a cuidar dos irmãos, porque tinha agora de assumir um lugar que não deveria ser seu. Não conseguia explicar ao irmão do meio porque tinha agora de fazer os trabalhos da escola sem a ajuda daquele ser que costumava estar ali a seu lado quando voltava, ao fim do dia, para casa. E não conseguia explicar ao macaquinho por que razão aquela cara familiar, que era o seu símbolo de amor e carinho tinha desaparecido.

O mundo desabava, o pai não trazia tanta comida porque não trabalhava tanto fora de casa, mas também não dava a atenção e o amor que os filhos precisavam, como era costume dar a mãe, não passava o tempo necessário com eles.

A filha mais velha, sentia-se perdida, triste, sem rumo. Não compreendia porque a mãe tinha desaparecido, não era justo o que a vida lhe tinha feito! A dúvida, se teria sido abandonada, corroía-a por dentro não deixando espaço para dar afeto aos irmãos e ao pai, a felicidade era agora uma rocha fria. Tinha de sair dali e procurar um caminho, fazer-se à selva para encontrar o seu lugar... Chegara o momento. Tal como a mãe, antes, também ela agora desaparecia. Deixou, no entanto, um bilhete de despedida. Mesmo fugindo da vida que tinha levado até ali, não ia conseguir viver com a culpa de deixar a dúvida no seu pai e irmãos. Explicou o que sentia e desapareceu no meio daquela selva.

A família que era de cinco estava agora reduzida a três.

O pai não conseguia agora cuidar dos filhos que ainda estavam consigo. Começou a faltar comida, o mundo de afetos que era aquele ninho morrera lentamente. Primeiro com o desaparecimento da mãe e depois com a saída da irmã.

O pai não conseguia cuidar dos seus filhos. Para trazer comida tinha de sair, deixando os macaquinhos sozinhos e desprotegidos. Para os proteger, não podia trabalhar e passavam fome. Tomou uma decisão, entregar o mais novo para ser criado num Zoo. Lá estaria melhor – dizia o pai a si próprio. Teria outros macaquinhos com que brincar, teria uma família que olhasse por ele. Assim fez. Ficou apenas com o irmão do meio a seu cuidado. A separação de seu orgulho era muito difícil, mas era para seu bem – repetia o pai a si próprio numa tentativa vã de se convencer.

Os anos passaram e os irmãos pouco contacto tinham uns com os outros, ou com o seu pai. Sabiam, apenas, que a Irmã tinha mudado para uma selva diferente, mais a sul, e que iniciara uma nova vida.

O Irmão do meio, que tinha crescido e vivido na parte da selva ao pé da queda de água, com pouco apoio do pai, tenha o hábito de se deslocar por caminhos difíceis, achava que essa era a única maneira de ser aceite pelos seus amigos da queda de água. Tantas fizera que o chefe dos macacos acabou por mandá-lo prender numa jaula.

O mais novo, que não conhecera a mãe – apenas se lembrava da sua cara triste, mas meiga, crescera no Zoo e não sabia o que era ter uma família que lhe transmitisse valores e educação. Os maus exemplos que toda a vida viu à sua volta tornaram-no rude, agressivo e pouco simpático para os outros macacos. A raiva que sentia de seu pai, por o ter abandonado à porta do Zoo, ainda tornava a sua vida mais difícil.

Na escola dos macacos, os seus colegas fugiam dele no recreio, por ele ser diferente. Os tratadores diziam que era mal-educado e muito irrequieto – diziam que sofria de Cafeína – e os restantes técnicos da escola empurravam-no de um lado para o outro tentando sempre que fosse outro a estar com ele.

Quando não estava a lutar com os colegas ou a mostrar os dentes para os tratadores, o macaquinho estava fechado no seu mundo de pensamento, não deixando que ninguém se chegasse. Por vezes sonhava que iria viver com a irmã mais a sul. Por vezes achava que o pai o ia receber de volta e cuidar dele. Ou ainda, sonhava que o irmão ia sair da jaula e os dois fariam uma viagem para bem longe daquele mundo que o maltratava.

Não sei se por simpatia, compaixão ou mesmo pena, a realidade é que fui um dos poucos que se aproximou dele e lhe deu tempo para se libertar e dizer um pouco do que sentia. Sim, sempre tive a sensação de que apenas me contou um pouco de todo aquele sofrimento. A verdade é que mesmo comigo não se dava muito a conhecer, talvez com medo de que também me fosse embora, talvez sabendo que chegando ao fim do ano eu iria para outro zoo e seria mais um a abandoná-lo.    

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Computador



Ontem liguei o computador da minha sala e algo de estranho aconteceu. Parece que ganhou vida própria. Logo depois de o iniciar, começou a mandar-me mensagens.


Primeiro disse que tinha a memória cheia, que tinha de libertar espaço. Depois, ainda não tinha desaparecido a primeira mensagem, já me estava a dizer que tinha vírus, spam, vermes, cavalos de troia e toda uma fauna que eu não compreendia o significado ou mesmo a razão de existir. A certa altura desta interminável lista de monstros desconhecidos, disse-me mesmo que era uma bomba-relógio a qual eu senti prestes a estoirar.   
Sempre que tentava fazer alguma coisa, sempre que tentava que funcionasse como é normal um computador funcionar, lá vinha ele com os seus erros e mensagens.

Problemas de memória, problemas de disco, problemas disto... problemas daquilo... Estava a começar a ficar farto. Como é que é possível trabalhar se o material não colabora? Estava cansado, frustrado, desanimado, prestes a baixar os braços e desistir daquela máquina que insistia em fazer o contrário do que eu queria.

Parei, fiz um intervalo, tentei distrair a mente com um livro, mas não consegui ler, como é natural. As ideias daquele momento não paravam de esvoaçar na minha cabeça. Toda aquela agitação de doenças e síndromes estranhas rodopiavam num turbilhão impedindo-me de ver a solução para o caso. Nessa altura entrou o professor da sala ao lado e perguntou-me o que se passava.

Respondi-lhe de imediato que o computador estava avariado, que os problemas eram tantos que o melhor era mandá-lo embora. Já não queria saber. Afinal de contas sempre fora lento e dera problemas. Devia ser defeito de fabrico.

- Mas tu sabes alguma coisa de computadores? – Perguntou-me ele com ar desconfiado - Se não percebes do assunto, o que te leva a pensar que podes fazer diagnósticos e apontar soluções? Deixa isso para quem sabe.

Parei o meu mundo sobre aquelas palavras. Valia a pena tentar.

Levei o malfadado objeto ao especialista e esperei. Passados 30 minutos apareceu o técnico com o seu veredito. Precisava de mais tempo, não era possível, em tão pouco tempo, corrigir todo o mal que as pessoas que com ele trabalharam lhe tinham feito. Estava cheio de informação inútil, de vírus e outros problemas que vinham dos sítios visitados e dos programas instalados. Mas uma coisa era agora clara, todos os problemas tinham a sua raiz no pouco cuidado que todos tivemos com ele.

Decidi esperar e ter paciência, podia ser que desse resultado.

Regressava agora à escola na expectativa de ver as suas verdadeiras capacidades. Não sabia até onde me poderia acompanhar, mas sabia que o tinha de cuidar e povoar de bons objetos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quando o acessório se torna essencial!


Falou-se do congresso do CDS, do caso do Meco, das pinturas de Miró e a seguir vamos ouvir falar do congresso do PSD. Pelo meio lá vamos tendo algumas notícia sobre a fragilidade da nossa economia, os seus pequenos e frágeis pontos de recuperação, exaltados como milagres pelo governo, e os seus muitos pontos de desequilíbrio, completamente apagados pela propaganda oficial.   

Não tenho dúvidas que até seriam notícias com algum interesse, não fosse o momento dramático que atravessamos. 


Enquanto se discutem os Miró, não se fala de um plano estratégico para a Cultura. Enquanto o Ministério da Educação discute as praxes, ninguém sabe quais as medidas de Crato para o próximo ano lectivo. Enquanto se fala de indicadores positivos da economia e de captar potencial humano estrangeiro, ninguém discute o que fazer com o exército de desempregados que existe em Portugal.

Estamos mal, estamos muito pior do que estávamos há 3 anos atrás e o governo continua sem apresentar ideias para o futuro.

Quando o acessório se torna essencial quem perde é Portugal.   

O mestre das crianças!



Certo dia perguntou-me a minha mãe:

- O que queres ser quando fores grande?

Esta é uma daquelas perguntas simples que os pais fazem às crianças. É também uma pergunta simples para a qual, ingenuamente, esperam uma resposta ainda mais simples.

- Quero ser astrónomo! Dizem uns que sonham com as estrelas...

- Quero ser homem do lixo! Dizem outros que sonham com o vento fresco da manhã a bater na cara de quem viaja alegremente, pendurado na traseira de um carro do lixo.

- Não sei... Deixa-me pensar um pouco e já te digo!

Ao contrário da resposta direta pretendida pela minha mãe, esta pergunta irrompeu pelo meu espírito e travou qualquer resposta impensada, irrefletida ou pouco ponderada que pudesse surgir no meu íntimo.

Sem dizer mais nada, afastei-me a pensar naquela simples pergunta.

Dei comigo sentado no ramo de uma figueira, que os meus avós têm no cerrado, a pensar no que queria ser quando fosse grande.

- Professor! É isso, quando crescer quero ser professor... 

Mas o que é isso? Um professor é uma pessoa que sabe muito, que é perito em alguma coisa. É alguém que sabendo muito passa esse saber a outros que o queiram. E eu queria saber muito, sempre gostei de estudar, mas nunca gostei de ser obrigado a estudar. Estava então decidido!

Sabendo que esta decisão estava muito próxima da minha vontade, havia algo nela que me inquietava. 

E quem não quiser aprender o que eu tenho para oferecer? Tenho de ser professor desses? Como é que se ensina alguma coisa a quem não quer aprender?

Ensinar e aprender pode acontecer, mas os alunos têm de gostar do que estão a estudar. Como acontece nas universidades. Só vai para a universidade quem quer, logo são todos bons alunos, pensava eu.

Mas, e até lá? Até à universidade é preciso estudar muito e são precisos muitos professores que ensinam o que os alunos querem e o que não querem.

E esses? Como é que esses ensinam? Se para eu aprender tenho de gostar do que vou aprender, tenho de querer aprender, então como é que um professor me pode ensinar o que eu não quero aprender? Eu que quero ser professor, como é que vou ensinar os meus alunos se eles não quiserem saber?

Quando estou na escola, há disciplinas para onde gosto de ir, mesmo sem nunca ter pensado se gosto da matéria ou não. Gosto de ouvir o professor e sei que o professor me ouve. Até posso gostar da matéria, mas a verdade é que neste caso não penso nisso. Nem sequer penso no que vou aprender. Vou para a aula apenas porque me sinto lá bem.

Eu gosto de desenho, e vou sempre para EVT com muito gosto, porque gosto de desenho. Mas eu nunca gostei de Inglês, no entanto gosto do professor e sinto-me bem na sua aula.

Não basta o professor saber muito, ele também tem de ser importante para os alunos, o professor tem de ser um exemplo, um modelo que os alunos queiram seguir. Esta é a forma de fazer com que os que não sabem o que querem, ou que não querem saber, se entreguem e aprendam. O professor tem de ganhar os alunos e tornar-se no seu mestre.

Tal como a lagarta que calmamente faz o seu caminho até se transformar em borboleta e ganhar asas para voar, também o professor deve fazer a sua viagem com os seus alunos para que estes ganhem o conhecimento que lhes permita serem críticos, pensantes e conhecedores do seu caminho.

Desci do meu ramo de figueira e voltei a entrar em casa. Os meus pais e os meus avós estavam sentados à mesa. Aproximei-me e verbalizei com ar solene:

- Quando for grande quero ser pedagogo, quero ser o mestre das crianças!

domingo, 16 de junho de 2013

Canta-se o hino na manifestação de professores!


É necessário que Portugal entenda que a luta não é pelos professores enquanto classe. A luta é pelo sistema de ensino e consequentemente pelos alunos e pelo futuro do país. 

O aumento de alunos por turma, a redução do número de professores nas escolas a instabilidade provocada por alterações constantes ao corpo docente das escolas (agora estendidas a quem já estava no quadro). Esses sim são problemas que, entre outros, afectam de forma dramática o futuro dos nossos alunos e do nosso país. 

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

Sou professor, e como já afirmei publicamente várias vezes, não concordei com a greve no dia do exame, mas confesso que nos últimos dias essa questão assumiu um papel de segundo plano no meu pensamento. Cada vez mais me questiono se haveria alternativa.

Quando o ministério desrespeita tudo e todos, incluindo as leis e as decisões do tribunal arbitral, extremando posições e perante a hipótese de chegar a consensos com as centrais sindicais rejeita, infelizmente a consequência só pode ser o radicalizar da luta.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Faz hoje dois anos que Portugal perdeu a sua independência. Nas palavras de Lobo Xavier (CDS), uma perda de independência desejada e provocada pelos partidos da actual maioria (PSD e CDS). Neste dia só tenho de dar os parabéns aos portugueses por terem aguentado dois anos de incumprimentos, de violações da constituição, de degradação do estado social, da função pública e da classe média, por terem visto os seus rendimentos reduzirem, os impostos aumentarem, a dívida pública e o défice crescerem e a economia colapsar, por terem passado por tudo isto com uma disposição, com um espírito de sacrifício e com um sentido de estado que tem faltado a quem tem responsabilidades. PARABÉNS!!!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Contrato de trabalho precisa-se

Neste dia 1.º de Maio (DIA DO TRABALHADOR) mais do que tudo importa reflectir sobre a actualidade. Importa perceber porque vivemos tempos tão conturbados. Não basta sair à rua para nos manifestarmos ou desfilarmos na parada de uma qualquer central sindical, como tão bem tem sido feito ao longo dos anos com os resultados que todos conhecemos. Não basta ficarmos em casa a escrever nos blogs ou nas redes sociais contra um governo que espreme os trabalhadores, com os resultados que todos sabemos que essas acções têm.

Neste dia 1.º de Maio é importante percebermos que separados os trabalhadores não têm força, é importante percebermos que separados a força dos trabalhadores se transforma na força do governo. Um governo que continua a olhar para a face da moeda que privilegia a austeridade esquecendo que do outro lado da moeda se encontram as políticas de crescimento.


Será que, mesmo reconhecendo eu a necessidade de contenção económica e redução da despesa pública  como um caminho que tem de se fazer, este governo PSD não consegue governar dentro da legalidade?


Nº 2 do artigo 208, da lei nº 59/2008 - "o trabalhador tem direito a um subsídio de férias de valor igual a um mês de remuneração base mensal, que deve ser pago por inteiro no mês de Junho de cada ano".


Este é apenas um exemplo que serve para ilustrar a força que este governo tem. Governa contra a constituição, governa contra a lei, governa contra os trabalhadores, governa contra os portugueses, mas governa com o apoio total do PSD e do CDS, numa maioria absoluta que aparentemente legitima todas as decisões que desejarem tomar, dentro ou fora da legalidade, e com a total protecção do Presidente da República, que se mostra duro com a oposição e altamente complacente com o governo.

O caminho a percorrer pelo estado é difícil e não é possível de alcançar com este governo e muito menos com esta política. A economia está destruída e carece de uma mudança de políticas urgente. Precisamos de políticas de crescimento e de emprego. Temos de aumentar a capacidade produtiva  a todos os níveis e para isso precisamos de políticas de investimento publico e privado, mas também precisamos de mais Europa, de uma Europa mais solidária entre si e mais solidária para com os seus povos. Temos de de recordar, reavivar e implementar os ideais fundadores do projecto europeu, liberdade, igualdade e fraternidade.                


Neste 1.º de Maio, perante o cenário de catástrofe económica e laboral que vivemos, 17,5% de taxa de desemprego, cerca de  1,5 milhões de desempregados,  mais uma vez, reflicto e confesso a minha frustração por ver apenas uma acção relativa da parte das organizações dos trabalhadores.

Porque não foi o dia do trabalhador comemorado em conjunto como uma "grande festa" reivindicativa?    

UGT - Avenida da Liberdade; 
CGTP - Alameda; e  
FENPROF - Avenida 5 de Outubro;

Afinal por que se batem as organizações sindicais? Não defenderão todas o trabalhador? Não pretenderão todas que os seus associados tenham as melhores condições de trabalho possíveis? Mas mais importante que tudo, não pretenderão as centrais sindicais que a taxa de desemprego baixe dos 4% e se aproxime do pleno emprego? 
Separados não vão lá. Sem consciência da realidade não vão lá. Sem se sentarem na concertação social não vão lá. Sem representarem verdadeiramente quem trabalha... não vão lá.

terça-feira, 30 de abril de 2013

A procura interna na crise!

A procura interna é um dos pilares fundamentais de uma economia e logo o seu abrandamento provoca uma quebra profunda nos indicadores económicos. O modelo de austeridade pretende contrair a procura interna e substitui-la pelas exportações. Dizem os entendidos que assim melhoramos a balança comercial. Eu pergunto: se todos fizermos o que aqui é descrito como é que se exporta? Para onde?

Podemos afirmar que esta política está mal desenhada, especialmente se defendemos modelos mais equitativos, mas a realidade é que esta política não está mal desenhada, está é desenhada para bem de apenas alguns.

Há quem esteja a passar a ideia de que vivemos tempos de conflito entre países do norte (com economias mais fortes) e os do sul (com as economias a passar por uma fase mais frágil), nada podia estar mais errado. O conflito existe, mas não é entre países. O Conflito que se sente hoje é um conflito ideológico, um conflito entre direita e esquerda. Um conflito entre a Social Democracia e o Conservadorismo Económico. Um conflito entre as pessoas e o dinheiro.